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15 de dezembro de 2009 • 13h51 • atualizado às 18h02

Niemeyer faz 102 anos e diz que apenas procurou ser útil

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Em plena atividade, Niemeyer completa 102 anos
 
Mariana Canedo
Direto do Rio de Janeiro

Com uma festa discreta, arquiteto Oscar Niemeyer comemorou seu aniversário de 102 anos nesta terça-feira, no Rio de Janeiro. O arquiteto, que esteve internado em setembro e passou por duas cirurgias, falou sobre como se sente em relação à idade atual. "A gente olha para trás e vê tanto trabalho. A vida é complicada demais. Passo por ela sem problemas, felizmente. O homem tem que ser fraternal. Temos que olhar o outro e caminhar junto. Sou igual aos outros. Não vejo nenhuma qualidade demais em mim não. Apenas trabalhei e tive algumas ideias aproveitadas", disse. Niemeyer ainda tentou ser humilde na cerimônia: "apenas procurei ser útil".

A família de Niemeyer optou pela discrição na comemoração. Até as 12h, alguns netos, bisnetos e a tataraneta Camila, 7 anos, tinham chegado ao seu estúdio, na avenida Atlântica, em frente à praia de Copacabana, para o almoço comemorativo.

Ana Lúcia, neta do arquiteto, afirmou que é com grande alegria que os familiares recebem o aniversário. "Para nós está sendo um alívio vê-lo chegar a esta idade tão bem, principalmente depois do susto que passamos (internação do arquiteto em setembro). Ele namora a esposa, fuma sua cigarrilha e toma seu vinho, sem problemas", disse. "Ele é o fato cultural mais importante que o Brasil já teve", afirmou.

Niemeyer, por sua vez, não se deslumbra com a longevidade e tenta ser humilde com sua obra. "Não tive contribuição nenhuma (para a arquitetura brasileira). Apenas procurei ser útil. Não sou melhor do que ninguém. Nada de fantasia", disse.

"Não quero ir embora não. A vida ainda me atrai. Vivo um momento de esperança apesar da idade. As coisas tendem a se harmonizar", disse. Niemeyer afirmou também que a idade não fez com que tivesse maior apego por nenhuma de suas obras: "procurei dar uma solução diferente para cada um deles".

Niemeyer comentou também um projeto para o sambódromo do Rio, que está nas mãos do pessoal de seu estúdio, no qual seu neto Carlos Oscar também trabalha. "Vai ficar bem. O que faltava era desocupar o espaço que tem ao lado (terreno do camarote de uma marca de cerveja). Já refizemos a maquete", disse.

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