atualizado às 13h16

Não há como tragédia no Japão se repetir no Brasil, diz CNEN

 
Luciana Cobucci
Direto de Brasília

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, afirmou nesta quarta-feira, em audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, que não existe a possibilidade de o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão neste mês se repetirem no Brasil, já que o País está localizado em uma parte mais estável da Terra.

"Só aconteceu no Japão porque as usinas não estavam preparadas para um acidente daquela magnitude, a onda de 14 m nem o terremoto de 9 pontos na escala Richter. As usinas estavam preparadas para tremores de 8,4 pontos e ondas de 10 metros. No Brasil, não temos falhas tectônicas, não pode ocorrer terremotos sequer de grau 4 aqui, simplesmente pela formação do globo", afirmou.

Entretanto, segundo Odair Gonçalves, para conseguir o licenciamento para a construção de usinas, elas precisam ser resistentes a terremotos de 7 graus na escala Richter, o que, segundo o presidente do CNEN, jamais vai acontecer no País. Além disso, as usinas precisam ter diques de escoamento de água que resistam a ondas de 8 m de altura.

O presidente da Eletronuclear, Otto Luiz Pinheiro da Silva, também presente à audiência pública, defende que não haja mudanças no programa nuclear brasileiro. "Não podemos nos dar ao luxo de descartar essa grande fonte de energia. Nós temos uma das maiores tecnologias para enriquecimento de urânio do mundo. Cerca de 40% das reservas do pré-sal são de urânio, somos a segunda maior reserva do mundo. Temos que saber extrair a experiência dessa grande catástrofe japonesa. Mas, neste momento, não temos que ouvir organizações com nome estrangeiro dizendo como vamos proceder nesse país", disse.

De acordo com o presidente do CNEN, Odair Gonçalves, ainda não é possível medir as consequências do acidente japonês para o Brasil, o que dispensa a tomada de medidas de prevenção por parte do governo brasileiro. "Nesse momento, tomar atitudes como a Alemanha, que fechou usinas, me parece precipitado. Pode ser que o acidente cause consequências, mas é importante ter mais dados. As informações que nos chegam são inconsistentes, há desencontro", disse.

Consequências para o Japão
Para o presidente do CNEN, mesmo com vazamento de fumaça radioativa da usina de Fukushima, no Japão, os japoneses não terão problemas decorrentes da radiação, como câncer. Isso porque, segundo Odair Gonçalves, a radiação medida num radio de 20 km da usina japonesa foi "muito baixa".

"Foi medido um nível de 10 miliSivert (mSv, unidade de medida da radiação), mas os problemas detectáveis da radiação só acontecem a partir de 100 mSv. Mesmo assim, o Japão evacuou a área, por questão de segurança, e as boas práticas aconselham que isso seja feito, mas ninguém lá foi exposto a uma radiação que chegasse a 100 mSv. Provavelmente, não haverá aumento da incidência de câncer no Japão, mas são medidas preventivas necessárias", disse.

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