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"Não é beicinho ante eleição", diz ativista pró-impeachment

André Antunes, de 37 anos, é um dos ativistas que criam e mantêm páginas pedindo a saída da petista do poder; para ele, iniciativa não é contestação ao resultado da eleição

28 fev 2015
09h10
atualizado em 2/3/2015 às 09h56
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Nem “beicinho” ante o resultado das eleições para a Presidência, nem golpe no eleitor que escolheu Dilma Rousseff (PT) para comandar o País por mais quatro anos. Para a militância que promete ir às ruas de pelo menos 30 cidades brasileiras neste sábado defender o impeachment da presidente reeleita, a ação seria uma maneira de se ejetar do poder “um monstro chamado Partido dos Trabalhadores” e de garantir que outros supostos escândalos envolvendo Dilma e o partido venham à tona.

André Antunes, 37 anos, criou um perfil contra a presidente Dilma nas redes sociais
André Antunes, 37 anos, criou um perfil contra a presidente Dilma nas redes sociais
Foto: Janaina Garcia / Terra

Um dos primeiros manifestantes a chamar a militância virtual para as ruas foi o analista de sistemas André Antunes, de 37 anos, de São Paulo. Autor da página “Fora Dilma” no Facebook, onde tem mais de 40 mil seguidores, Antunes explicou que a manifestação organizada para este sábado é uma maneira de não dispersar a militância da causa, já que a semana que passou foi de protestos de caminhoneiros contra o governo federal, e considerando o fato de uma manifestação que se anuncia como a maior do gênero estar prevista apenas para o próximo dia 15. Além disso, ele aposta, a expectativa é que saia o relatório das investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal, sobre escândalos de corrupção na Petrobras – documento e que ele diz não ter dúvidas do envolvimento de Dilma.

“A gente não quer tirar a Dilma por uma questão eleitoral, ou porque estamos fazendo beicinho para o resultado da eleição: o que queremos é que o ‘Petrolão’ (apelido do escândalo na estatal) seja julgado como deve”, disse. “Existe uma previsão de que o relatório da Lava Jato, com nomes, seja entregue até sexta (ontem, o que não aconteceu); com isso, fica meio sem sentido manifestar só no dia 15 de março, sendo que outros Estados já estão protestando com caminhoneiros nas ruas”, afirmou.

Para o ativista antiDilma, porém, o ato nas ruas antes mesmo de se confirmar ou não se a presidente tem ou teve envolvimento nos escândalos de corrupção tem razão de ser. “É praticamente impossível que, se a PF estiver conduzindo esse inquérito como deve, mais uma vez o presidente da República saia pela tangente dizendo que de nada sabia”, calculou. “Se ficar comprovado que a presidente se omitiu, judicialmente cabe sim o impeachment”, defende Antunes, para quem “o mensalão (em 2005) foi um iceberg menor, o petrolão é um iceberg maior, e um BNDESão pode estar todo escondido no mar". "Se a gente conseguir criar uma sinergia dessas manifestações, fazer o povo sair sua zona de conforto, o petrolão já vai engatar num BNDESão, e não tem como”, acredita. “O monstro que deve ser combatido agora é o PT”, concluiu.

A manifestação em São Paulo está marcada para as 14h no vão do Masp.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, se manifestou recentemente sobre os atos defendendo o impeachment de Dilma. Para ele, as iniciativas não possuem “nenhuma base jurídica ou política”, e o que entusiastas da questão fariam é “flertar com o golpismo”.

Terra

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