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Minc: vazamento da Chevron faz soar 'alerta vermelho' no País

24 nov 2011 - 15h55
(atualizado às 17h50)
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O vazamento de petróleo na plataforma da Chevron no Campo de Frade é um ''alerta vermelho'' para o Brasil, que pretende explorar as gigantescas jazidas marítimas nas águas profundas do pré-sal, uma operação delicada e inédita, segundo os analistas. "Que isso sirva de alerta vermelho. Um só poço teve problemas, mas o pré-sal terá mil deles. Temos que aprender a lição", disse o secretário do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc.

Para Minc, vazamento na Bacia de Campos serve de alerta para pré-sal
Para Minc, vazamento na Bacia de Campos serve de alerta para pré-sal
Foto: Rogério Santana / Governo do Rio / Divulgação

"A lei permite que as empresas estrangeiras explorem petróleo, mas não somos uma República de bananas. Somos a sétima economia do mundo e queremos tecnologias cada vez mais preventivas. A Chevron não operou nas condições de confiança que lhe foram outorgadas", disse Minc na quarta-feira a jornalistas.

Segundo dados da Chevron, durante pouco mais de 10 dias foram derramados no Atlântico 2,4 mil barris de petróleo. Segundo a ONG SkyTruth, foram cerca de 15 mil barris.

As autoridades brasileiras querem que o acidente da petroleira americana Chevron sirva de exemplo a outras companhias. Até o momento, foram aplicados US$ 28 milhões em multas e outras multas milionárias estão em processo.

O Brasil suspendeu na quarta-feira todas as atividades de perfuração da Chevron no País, e também rejeitou seu pedido de explorar a região do pré-sal. "O acidente da Chevron mostra que extrair petróleo do mar não é uma tarefa simples", disse Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura.

Atualmente, 80% do petróleo mundial é extraído em terra, mas a exploração marítima tem crescido significativamente, disse Pires. "O Brasil já é o país onde a produção marítima é mais elevada (95% do total) e isso vai aumentar ainda mais com o pré-sal", disse Pires.

"Nem o Brasil nem o resto do mundo estão preparados para responder rapidamente a um acidente petroleiro no mar, e com o pré-sal as dificuldades serão ainda maiores devido à profundidade", de 5 mil a 6 mil m abaixo do nível do mar.

O especialista recordou o acidente ocorrido no ano passado nas instalações de British Petroleum (BP) no golfo do México, que provocou a maior mancha negra já registrada nos Estados Unidos, com quase cinco milhões de barris de petróleo derramados no mar durante três meses.

Empresas como a gigante brasileira Petrobras - líder mundial em exploração e produção em águas muito profundas - desenvolveram métodos sofisticados para a extração do petróleo em alto mar, mas os métodos para enfrentar vazamentos e proteger o ambiente "deixam a desejar", disse Pires. "Tapar um vazamento e coletar o petróleo derramado leva tempo. As empresas e os governos precisam trocar informações sobre a maneira de agir", disse Pires. "Transformar petróleo em lucro não é fácil e custa caro", disse o analista, recordando que "as ações da Chevron recuaram 12% durante os últimos dias e as da BP perderam 20% em 2010".

Alessandra Magrini, professora de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio (UFRJ-Coppe), disse que a lei de 2000 sobre o petróleo aprovada pelo Brasil é "muito generalista" e que é preciso preparar melhor os organismos de controle", como a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o Ministério do Meio Ambiente e a Marinha - para gerar respostas rápidas no caso de acidentes, com a perspectiva do pré-sal em foco.

A Petrobras dispõe de um sistema de alta tecnologia para enfrentar acidentes em alto-mar e um robô de operação submarina teleguiado (ROV), mas os organismos de controle precisam de informações em tempo real e precisam coordenar-se de maneira mais eficaz, disse Mangrini.

"O plano de emergência a nível nacional ficou na gaveta. Foram fixados critérios para as multas, mas não há nada para avaliar os danos causados", disse. "O Brasil ainda possui muito a evoluir em relação aos trabalhos no pré-sal", completou.

AFP Todos os direitos de reprodução e representação reservados. 
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