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Militantes criticam posicionamento da Comissão da Verdade diante de Ustra

14 mai 2013
09h06
atualizado às 09h06
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Familiares de desaparecidos, organizações de direitos humanos e ex-presos políticos criticaram a postura dos integrantes da Comissão Nacional da Verdade durante o depoimento do coronel da reserva Carlos Alberto Brilhante Ustra, na sexta-feira, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Para os críticos, a comissão deixou o ex-comandante do DOI-Codi transformar o depoimento em uma espécie de palanque político, em defesa do período da ditadura. "Estou indignado. A comissão deveria ter se preparado melhor, organizado as regras, para impedir que um facínora transformasse aquilo num palanque, agredindo a presidente da República da forma como fez", diz o ex-deputado Aldo Arantes, ex-preso político e membro da direção nacional do PC do B.

<p>O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi-SP entre 1970 e 1974, prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade</p>
O coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, que comandou o DOI-Codi-SP entre 1970 e 1974, prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade
Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Luiz Moreira, professor de direito constitucional da Faculdade de Direito de Contagem e assessor de grupos de direitos humanos, qualificou como "desastre" o depoimento. "O erro foi deixar a oitiva de Ustra, um quadro ideológico profundamente ligado às estruturas da ditadura, pender para o lado de um tribunal de júri." Já o cientista político Manoel Moraes, membro da Comissão da Verdade de Pernambuco, considera positiva a presença do coronel perante a Comissão Nacional: "Os inquiridores estavam bem preparados. A melhor indicação disso foi o fato de que Ustra começou a falar e a ficar nervoso, quando tinha o direito de silenciar. Percebeu que a comissão tinha munição".

Fonte: Terra

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