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Júri de seguranças acusados de matar PC farias será em novembro

28 set 2012
07h57
atualizado às 08h04
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Odilon Rios
Direto de Maceió

Vinte anos após a queda de Fernando Collor de Melo da Presidência da República, um de seus personagens mais poderosos e misteriosos volta à cena. No 16º ano da morte do ex-tesoureiro de campanha de Collor, Paulo César Farias, a Justiça alagoana quer colocar um ponto final na pergunta "Quem matou PC?".

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O julgamento dos quatro seguranças está marcado para o dia 21 de novembro e deve durar quatro dias. Para o Ministério Público, Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva, Reinaldo Correia de Lima Filho e Josemar Faustino dos Santos mataram o empresário e a namorada dele, Suzana Marcolino. Todos estavam na mansão de PC, no bairro de Guaxuma, em 23 de junho de 1996. Para a defesa, Suzane atirou em PC e, logo depois, se matou. Motivo: ciúmes.

A guerra de versões dividiu a família Farias. Dentre as testemunhas arroladas pelos advogados de defesa, aparece a filha de PC, Ingrid Pereira de Farias. Ela vai tentar inocentar um dos acusados no assassinato do pai, o policial militar e segurança Adeildo Costa dos Santos.

O irmão de PC, que chegou a ser citado como autor intelectual do crime e, em seguida, retirado do processo, o ex-deputado federal Augusto Farias é uma das testemunhas arroladas pelo Ministério Público Estadual. Vai defender que Adeildo e os outros seguranças mataram o empresário.

O médico Badan Palhares - responsável pela teoria do suicídio de Suzane - foi chamado pelo MP para explicar a mudança de versão durante as investigações. Badan, inicialmente, defendia o duplo homicídio, mas depois passou a dizer que Suzane matou PC e depois tirou a própria vida. "Por que mudou de opinião?", pergunta o MP, no processo.

"Os seguranças são vítimas de uma campanha odiosa da mídia que insiste em não acreditar que Suzana é a única responsável por esse lamentável episódio", disse o advogado José Fragoso, que defende os seguranças. Para Fragoso, Suzana comprou a arma após PC ter rompido com ela. "A arma estava na cena do crime. Os disparos que atingem PC e Suzana foram disparados por essa arma. PC rompeu o relacionamento com Suzana naquela noite. Não há prova da presença de uma terceira pessoa na cena do crime. Laudo conclui que Suzana apresentava um perfil psicológico-psiquiátrico de alto risco para o suicídio ou outros atos impulsivos, assim como motivação relevante para a concretização do fato", diz o advogado.

Versão do MP
A versão do Ministério Público é bem diferente. Os seguranças teriam forjado o arrombamento das janelas do quarto de PC (elas estavam destrancadas na hora do crime), mataram o casal e montaram um "teatro, apresentado pela mídia e toda a nação". Segundo o MP, a prima de Suzana, Zélia Maria Maciel Souza, intermediou a compra da arma na cidade de Atalaia - na zona da mata alagoana. Suzana estaria preocupada com sua segurança, o que foi confirmada por outras pessoas ouvidas durante a investigação. Na laudo, atesta o MP, os peritos não fizeram a medição do corpo de Suzana e o local do crime não foi preservado. Suzana tinha uma quantidade maior dos metais alumínio, enxofre, cloro e potássio no dedo polegar da mão esquerda. O dedo de atirar, destaca o MP, é o indicador.

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Foto: Agência Brasil
Especial para Terra

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