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Itamaraty considera injustificável detenção de brasileiro em Londres

O brasileiro David Miranda ficou detido por nove horas em aeroporto de Londres. Ele é namorado do jornalista que revelou espionagens dos EUA

18 ago 2013
17h29
atualizado em 19/8/2013 às 13h04
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O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota na tarde deste domingo classificando como "injustificável" a detenção do brasileiro David Miranda por aproximadamente nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres. Miranda é namorado do jornalista do periódico britânico The Guardian Glenn Greenwald, responsável por publicar uma série de denúncias sobre a espionagem americana.

David Miranda (esq.) ficou detido por nove horas em aeroporto de Londres
David Miranda (esq.) ficou detido por nove horas em aeroporto de Londres
Foto: AP

Na nota, o Itamaraty disse que o governo brasileiro está preocupado com o episódio e disse que a detenção, baseada na legislação britânica de combate ao terrorismo, é injustificável. "Trata-se de medida injustificável por envolver indivíduo contra quem não pesam quaisquer acusações que possam legitimar o uso de referida legislação. O governo brasileiro espera que incidentes como o registrado hoje com o cidadão brasileiro não se repitam", diz a nota.

Segundo o Guardian, David Miranda foi detido no aeroporto enquanto aguardava o retorno ao Brasil depois de uma viagem à Alemanha. A detenção pela Scotland Yard aconteceu com base num artigo da lei antiterrorismo, uma controversa legislação aplicada em aeroportos e portos que permite prender suspeitos sem mandado judicial e sem permitir que se chame um advogado. Mesmo depois de liberado, Miranda teve todos os seus equipamentos eletrônicos confiscados – telefone celular, laptop, câmera, pen drives, DVD’s e um videogame.

Desde o dia 5 de junho, o jornalista Glenn Greenwald vem publicando uma série de reportagens no jornal britânico para revelar as ações de espionagem da National Security Agency (NSA), a partir de documentos vazados pelo ex-funcionário da CIA Edward Snowden, que está exilado na Rússia. 

"Esse é um ataque profundo à liberdade de imprensa", disse o jornalista Glenn Greenwald sobre o episódio. "Deter meu companheiro por nove horas inteiras e negar-lhe um advogado, e depois tomar grandes quantidades de suas posses, é claramente uma tentativa de mandar um recado de intimidação", afirmou neste domingo.

Fonte: Terra
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