As mulheres brasileiras vivem em média 7,8 anos a mais que os homens. O motivo, de acordo com uma pesquisa do Departamento de População e Indicadores Sociais da Diretoria de Pesquisas do IBGE, é o aumento das mortes por causas externas (homicídios, acidentes de trânsito, suicídios, quedas acidentais, afogamentos etc.) entre os homens.
Conforme os dados divulgados hoje, a mortalidade masculina é três vezes maior que a feminina, na faixa dos 20 aos 29 anos. A principal razão dessas diferenças está nas mortes violentas: 1,9 milhão entre 1980 e 2001, ou mais de 90 mil por ano. Esse número corresponde a duas vezes a população da cidade de Campinas (SP), ou à soma do total de habitantes dos estados de Rondônia e Acre, de acordo com resultados do Censo 2000.
Do total de mortes por esses motivos, 82,4% (ou 1,570 milhão)aconteceram com homens, e 65,8% (1,258 milhão de óbitos) foram registradas na faixa etária que compreende pessoas entre 10 e 39 anos. Durante esse período da vida, a imensa maioria de mortes por causas externas (1,077 milhão, ou 85,6%) ocorreram com os homens.O Brasil ocupa a 108ª posição no ranking das estimativas de esperança de vida ao nascer entre 2000 e 2005 projetadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 187 países do mundo. A idade média a ser vivida pela população brasileira (68,9 anos) fica pouco acima da mundial (66 anos), mas ainda bem abaixo dos países mais bem colocados no mundo, como Japão (81,5 anos), Suécia (80,1 anos) e Hong Kong (79,9 anos).
A pesquisa sobre o impacto das mortes por causas externas na esperança de vida brasileira, feita desde 1980, vem mostrando lentamente uma separação entre homens e mulheres. Conforme o IBGE um dado que mostra isto é o da expectativa de vida, que entre 1980 e 2001 passou de 62,7 anos para 68,9 anos para ambos os sexos. No mesmo período a esperança de vida feminina cresceu 6,9 anos, contra 5,5 anos da masculina.
Outro dado que mostra a influência da violência neste caso é a hipótese de uma situação limite de ausência de mortes por causas externas. Se isto acontecesse a população masculina teria um aumento de 2,5 anos na esperança de vida ao nascer em anos recentes. Já o segmento feminino experimentaria ganhos bem menos expressivos, na ordem de 0,5 ano.
No mundo, o Brasil ocupa, segundo a Organização das Nações Unidas, através de sua Divisão de População, a 108ª posição no ranking dos 187 países para os quais foram estimadas as esperanças de vida ao nascer entre 2000 e 2005.
Apesar dos ganhos recentes, ainda há uma longa trajetória para o Brasil alcançar patamares como o da França (79 anos) e o do Japão (81,5 anos).
Confira os números do IBGE:
| 1980 | 62,0 | 59,6 | 66,0 |
| 1991 | 66,0 | 62,6 | 69,8 |
| 1998 | 68,1 | 64,4 | 72,0 |
| 1999 | 68,4 | 64,6 | 72,3 |
| 2000 | 68,6 | 64,8 | 72,6 |
| 2001 | 68,9 | 65,1 | 72,9 |
| Em anos | 6,2 | 5,5 | 6,9 |
| Em meses | 78,4 | 66,0 | 82,8 |
| 1980 | 63,9 | 61,4 | 66,5 |
| 1991 | 1,0 | 2,5 | 0,0 |
| 1998 | 1,6 | 2,5 | 0,6 |
| 1999 | 1,6 | 2,6 | 0,6 |
| 2000 | 1,6 | 2,6 | 0,6 |
| 2001 | 1,4 | 2,4 | 0,4 |
| Totais | 23.742.109 | 13.740.536 | 10.001.573 |
| Causas naturais | 21.828.923 | 12.164.770 | 9.664.153 |
| Totais | 3.332.488 | 2.360.75 | 971.731 |
| Causas naturais | 2.073.960 | 1.283.714 | 790.246 |
| Causas externas | 1.258.528 (100,0%) | 1.077.043 (85,6%) | 181.485 (14,4%) |