Maluf é detido em Paris ao movimentar conta

24 de julho de 2003 • 14h32 • atualizado às 21h20
Paulo Maluf Foto: Redação Terra
Paulo Maluf
06 de outubro de 2002
Foto: Redação Terra

O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, de 71 anos, foi detido em Paris hoje ao tentar realizar uma movimentação financeira irregular em uma agência do banco Credit Agricole, na Champs Elysées. De acordo com a rádio Jovem Pan, ele pretendia transferir uma quantia de dinheiro superior ao permitido pela lei local. De acordo com a agência AFP, citando a polícia local, Maluf foi libertado horas depois, no final da tarde (hora local). Maluf foi posto em liberdade por instrução do juiz, que o ouviu e alegou que não havia provas para prendê-lo.

Maluf teria sido abordado por agentes da polícia fazendária e conduzido para a cidade de Nanterre, periferia da capital, para ser interrogado. A rápida prisão de Paulo Maluf, folclórica figura da direita brasileira, foi resultado de uma ordem judicial francesa ligada a uma investigação sobre movimentação financeira.

Na versão do político, ele foi por conta própria dar esclarecimentos sobre a quantia que mantém na conta que está no nome da sua esposa, dona Sylvia. De acordo com o político, que deu uma entrevista ao Portal Terra, ele foi convidado pelo gerente do banco a dar explicações ao Ministério do Interior francês.

O escritório Leite, Tosto e Barros Advogados, que defende Maluf há cerca de dois anos, informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que foi contratado um escritório de advocacia na França para tratar do caso. Um advogado acompanhou o depoimento de Maluf, que falou com as autoridades francesas por cerca de três horas.

O advogado de Maluf, Ricardo Tosto, disse hoje, em entrevista coletiva após a libertação do político, que a "convocação" do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo para prestar esclarecimentos sobre a conta que possui em um banco de Paris "foi um procedimento normal". De acordo com Tosto, Maluf estava de férias na França quando foi convocado, pelo banco e pela polícia fazendária, para explicar um depósito de US$ 1,455 milhão em sua conta.

Tosto disse que Maluf esclareceu, primeiramente ao banco e depois à polícia, que o dinheiro é oriundo de duas fontes: a venda de um terreno de propriedade dele e de sua esposa, Sylvia Maluf, em São Paulo, na Rua Vergueiro, de 14 mil m2, que era da família há 65 anos na família, e da Fundação Lichtenstein.

O chefe da Divisão Fazendária da Polícia Federal, delegado Paulo Ornellas, determinou que a Coordenação Geral de Inquéritos Especiais apure as circunstâncias da detenção do ex-governador. O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, tomaram conhecimento da informação e pediram que fossem levantados os dados.

Paulo Maluf tem uma conta em um banco francês na qual foi feito um alto depósito em abril deste ano. Além disso, o Ministério Público do Estado de São Paulo e a Procuradoria da República em São Paulo investigam a existência de movimentações financeiras de Maluf nas ilhas Jersey, na Suíça e nos Estados Unidos.

Hotel onde Maluf se hospeda
Maluf está hospedado no Hotel Plaza Athénée, na famosa avenida Montaigne. A localização é uma das mais privilegiadas da cidade: fica a poucos passos do Champs Elisées e no meio de lojas de marcas famosas como Valentino, Prada, Christian Lacroix e Ines de la Fressange. A diária do quarto mais barato custa, de acordo com as informações dadas no site do hotel, 498 euros (cerca de R$ 1.650,00). O mais caro - a Royal Suite - custa 6050 euros (cerca de R$ 20.050).

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