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 Tratorista "herói" é aclamado por baianos
03 de maio de 2003 09h23 atualizado às 14h29

O tratorista que não conseguiu derrubar duas casas para cumprir uma ordem de reintegração de posse ontem, voltou ao local hoje, bairro da Palestina, na periferia de Salvador. Ele foi aclamado como herói pelos moradores.

Hamilton dos Santos chegou a ter a prisão decretada por não estar cumprindo uma ordem judicial. O terreno em questão, que fazia parte da Fazenda São Paulo, é ocupado por duas casas, onde moram 15 pessoas e é requisitado pelo engenheiro Adolfo Stelmach desde 1993, quando as casas começaram a serem construídas. Hamilton, 53 anos, tratorista contratado para a execução da ação, já é tido como herói pelos moradores, que não se cansam de elogiar sua atitude de não derrubar as casas.

Ele se recusou por duas vezes a derrubar as casas com o trator, mesmo com a ameaça do oficial de Justiça Carlos Cerqueira de lhe dar voz de prisão. Após as ameaças, ele chegou a subir no trator mais uma vez e investir contra as residências. A pouco metros do imóvel, entretanto, recuou novamente e apresentou um quadro de crise nervosa e hipertensão, sendo conduzido ao pronto-socorro da Palestina pelos policiais militares, que acompanhavam a operação.

Outro tratorista foi chamado para realizar o serviço, mas também se negou. Os donos da empresa que alugou o equipamento, por sua vez, disseram não ter conhecimento de que o trator seria usado para esta finalidade, garantindo que não vão mais liberar a máquina.

De acordo com os moradores, para evitar a demolição das casas, o dono do terreno pede uma indenização de cerca de R$25 mil, valores que eles não podem pagar. "Estamos aqui lutando pelo que é nosso por usucapião. Embora as casas só tenham sido construídas em 93, o terreno já estava cercado há muito mais tempo. Estamos tendo que pagar, sem poder, por um coisa que já é nossa", declara Edmilson Neves, 30 anos, morador de uma das casas. Ele mora no local com sua mulher, sua filha, sua mãe e seu irmão, enquanto a outra casa é ocupada por sua cunhada Telma Sueli dos Santos Sena, seu marido Dilton, mais sete crianças e um adulto.

O oficial de Justiça informou que precisou suspender a execução da diligência por falta de equipamentos e que vai entregar um relatório ao juiz Cláudio Fernandes de Oliveira, titular da 12ª Vara Civil, na segunda-feira, para a partir daí, aguardar nova ordem. Por enquanto, a demolição e a reintegração de posse ficam suspensas.

As famílias envolvidas esperam ainda que o advogado contratado consiga uma liminar ou um outro acerto como Adolfo sobre o terreno. Em último caso, eles tentarão juntos arrecadar a quantia com a comunidade. "Tomara que hoje (ontem) a noite, com a cabeça fria, Adolfo possa pensar um pouco e olhar pela nossa situação", fala Edmilson.

Redação Terra