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 Operação deixa dois mortos na Zona Sul do Rio
30 de agosto de 2007 02h00

Duas pessoas morreram, seis foram presas e um policial militar perdeu o olho com estilhaços de granada, ontem à tarde, durante operação da PM nos morros do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, e Cantagalo, em Ipanema, no Rio. A ação foi para caçar 10 bandidos que invadiram, na noite anterior, prédio na Rua Piragibe Frota Aguiar, em Ipanema, onde fizeram moradores de reféns, entre eles uma médica da PM, que foi torturada. Dos detidos, dois são suspeitos de participar do assalto.

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A incursão, que durou quatro horas, contou com 50 homens do 2º BPM (Botafogo), 19º BPM (Copacabana), 23º BPM (Leblon) e Batalhão de Operações Especiais (Bope). Durante a operação, houve intensa troca de tiros e explosões de granadas. Estilhaços de uma delas atingiram o rosto do cabo do Bope Cleberson Ferreira de Lima, que perdeu um dos olhos. No corpo do PM foram encontrados 36 estilhaços do explosivo. O cabo foi levado ao Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio, mas não corre risco de morrer.

Segundo policiais do Bope, Luan Gonçalves Magalhães, 18 anos, e Renan de Souza Carvalho, 17 anos, eram bandidos, foram atingidos durante o confronto e um deles teria jogado três granadas nos PMs. A família de Luan negou a acusação, garantindo que o rapaz é inocente.

Nas ruas Barão da Torre e Teixeira de Melo, em Ipanema, acessos ao Cantagalo, o comércio ficou fechado por quase uma hora. No Pavão-Pavãozinho, três jovens foram detidos. Moradores ficaram na Rua Sá Ferreira, tentando subir o morro durante a operação. Para deixar a favela e seguir para o Cantagalo, os PMs fecharam a Rua Raul Pompéia, em frente ao Túnel Sá Freire Alvim.

No Pavão-Pavãozinho, foi apreendida escopeta calibre 12, que seria da Swat (grupo de elite da polícia americana), e munição. No Cantagalo, a polícia prendeu seis pessoas e encontrou metralhadora 9 mm, granada M-4 das Forças Armadas, cinco pistolas - uma delas da PM com numeração raspada -, carregadores, munição, maconha, cocaína, crack, haxixe, dinheiro e cordão com pingente de fuzil. Também foi estourada central clandestina de TV a cabo.

A família de Luan disse que ele seguia da casa da mãe para a de um primo, na parte alta do morro, quando foi atingido. Baleado, o rapaz correu até um beco, onde se escondeu, com medo de ser assassinado. Durante muito tempo, esperou o tiroteio cessar para, então, ser socorrido por moradores. O jovem morreu na chegada ao hospital.

A mãe de Luan, Raimunda Gonçalves Magalhães, 55 anos, teve uma crise nervosa ao saber da morte do filho e foi sedada. A família disse que o rapaz estava inscrito no programa Pró-Jovem, trabalhava num Ciep da comunidade e que nunca teve envolvimento com o crime.

Já a família de Renan admitiu que ele era viciado, mas afirmou que houve execução. O tio dele, que não quis se identificar, disse que, ao descer escadaria, o rapaz teria sido algemado e morto.

Cinco dos seis presos foram autuados na 14ª DP (Leblon) por associação ao tráfico e porte de arma: Marcelo Vieira Correira, 19 anos; Adão Carlos dos Santos, 31 anos; Bruno Francisco da Silva, 18 anos; Jackson Lima da Silva, 29 anos; e Luiz Gustavo Braga de Farias, 28 anos. Morador de Copacabana, o jovem de classe média Carlos Felipe do Nascimento Crispim, 23 anos, foi autuado por uso de drogas.

Encapuzados e armados, os 10 bandidos invadiram o prédio depois de render três porteiros. À medida que os moradores chegavam, eram dominados pela quadrilha. Uma das vítimas foi a médica Patrícia Lago. Quando descobriram que ela é oficial da Polícia Militar, os ladrões começaram a torturá-la. Segundo policiais que participaram da operação no Pavão-Pavãozinho, enquanto era agredida, a médica teve os dois braços quebrados.

A violência contra a oficial foi tanta que chocou policiais. "Foi muita crueldade. Nossa revolta era tanta que resolvemos subir imediatamente", disse um PM, sem se identificar.

Além do apartamento de Patrícia, outro imóvel do edifício foi roubado. Os assaltantes levaram aparelhos eletrônicos, dinheiro, jóias e roupas. Enquanto parte do bando fazia os saques, o outro mantinha moradores e funcionários na lixeira do prédio.

Um dos carros usados pelos bandidos, um Polo preto, havia sido roubado segunda-feira por quatro homens na Rua Bulhões de Carvalho, em Copacabana. O veículo foi abandonado dentro do prédio. Para fugir, por volta de 0h30, os criminosos roubaram o Fiesta de um morador, que foi deixando na Ladeira Saint-Roman, um dos acessos ao Pavão-Pavãozinho.

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