Governo prevê 370 mil casos de dengue para 2003

11 de novembro de 2002 • 10h50 • atualizado às 10h50

Uma nova epidemia de dengue no Brasil em 2003 é inevitável. A meta das autoridades de saúde é manter o número de casos limitado a cerca de 370 mil em todo o país, metade dos casos registrados este ano, disse o ministro da Saúde nesta sexta-feira.

Apesar do aumento do número de mosquitos Aedes aegypti, transmissores da dengue, o Ministério da Saúde está confiante de que as medidas mais rígidas que adotou evitem, no próximo verão, a repetição dos 740 mil casos da doença e das 134 mortes registradas no Brasil neste ano.

"Em 2002, antecipamos o planejamento e a liberação de recursos e tivemos uma organização muito mais eficiente do que em 2001", disse o ministro Barjas Negri. "A expectativa é que tenhamos uma redução de 50% na incidência da doença, mas é claro que algum Estado ou município pode ficar muito abaixo ou muito acima dessa meta."

O Ministério da Saúde e a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) vão apostar no Dia D de Combate Nacional à Dengue, no dia 23 de novembro, para diminuir o aparecimento de criadouros do mosquito, que deposita seus ovos em reservatórios de água parada. "A mobilização de março com milhares de pessoas ajudou a fazer com que não tivéssemos uma situação ainda mais grave", declarou Barjas durante um seminário no Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nesta sexta-feira.

"É difícil acabar com a dengue... Nenhum país do mundo tem o controle efetivo dela. Não se consegue erradicar, tem que fazer um trabalho de convivência permanente."

A pasta da Saúde também disponibilizará mais de R$ 1 bilhão para ajudar no combate à enfermidade, além de entregar 1,4 mil veículos e mil máquinas de pulverização de inseticida.

O Estado mais castigado pela doença foi o Rio, que registrou mais de 250 mil casos de dengue entre janeiro e setembro e 80% das 134 mortes ocorridas em todo o Brasil.

Segundo o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Paulo Buss, desta vez as cidades fluminenses não vão ser surpreendidas pela ocorrência da dengue, já que "o Estado está parcialmente pronto para o próximo ano". "A nossa expectativa é que não tenhamos uma epidemia importante no Rio como houve neste ano, mesmo com o aumento da população de mosquitos", destacou. "Se soubermos atacar agora, com os trabalhos que estão sendo feitos, é bem provável que não passemos por uma situação tão grave quanto a deste ano."

O especialista em saúde acredita que algumas falhas no sistema de prevenção da doença podem ser fechadas a curto prazo. Ele citou como possíveis causas para os altos números da dengue no Rio a escassez de agentes mata-mosquito, a dispersão de recursos federais, estaduais e municipais e a falta de conscientização da população.

A dengue é transmitida através da picada do mosquito Aedes aegypti, que vive em reservatórios de água limpa e parada, como pratos de vasos de planta, garrafas e pneus velhos. As recomendações para evitar os criadouros em casa são simples: retirar a água desses reservatórios ou enchê-los de terra.

Com as chuvas e as altas temperaturas do verão, o mosquito encontra seu habitat perfeito para reprodução. Nas outras estações do ano, o aparecimento da doença é muito menor.

A enfermidade causa febre, dores no corpo e de cabeça, sintomas que geralmente desaparecem em uma semana. Nos casos mais graves da dengue hemorrágica, a expectativa de sobrevivência é mínima.

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