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MP investiga parlamentares ligados a fraude

05 de maio de 2006 05h50 atualizado às 07h50

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, recebeu uma lista com 51 parlamentares e 14 ex-parlamentares cujos nomes foram mencionados em conversas telefônicas entre os envolvidos no esquema de desvio de recursos do Orçamento para a compra de ambulâncias. Os diálogos foram gravados pela Polícia Federal com autorização judicial.

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Segundo o jornal O Estado de S. Paulo desta sexta-feira, a relação, feita pelo juiz Jeferson Schneider, da 2ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, inclui 13 deputados do PP, 11 do PTB, 10 do PL, 8 do PFL, 5 do PMDB e 4 do PSDB.

O relatório apresenta a descrição de longas conversas de integrantes da organização. Eles negociam emendas, acertam partilhas de dinheiro, anotam números de contas bancárias, tramam assassinatos e fazem referências diretas a parlamentares.

Souza agora deve decidir se encaminha ou não ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra os parlamentares citados. Se julgarem conveniente, as Mesas da Câmara e do Senado também podem determinar a abertura de processos.

Em um ofício, Schneider antecipa que, na maioria dos casos, os nomes constantes no relatório foram apenas mencionados. Há casos, contudo, em que os grampos trazem indícios contundentes contra os congressistas.

Junto com a lista, Souza recebeu também a reprodução de todas as conversas. O Ministério Público pretende usar o instrumento da delação premiada - que garante benefícios para indiciados que colaborem com a Justiça - para aprofundar a investigação. Listas de nomes citados nas conversas também foram remetidas às procuradorias regionais, que investigam prefeitos, e a órgãos federais onde estão lotados servidores citados nos grampos telefônicos ou diretamente envolvidos nas fraudes.

Segundo o jornal O Globo, em uma das conversas gravadas, o empresário Luiz Antônio Trevisan Vedoin, apontado como o chefe da organização, reclama de exigências que teriam sido feitas por uma deputada do Rio. "Mais uma coisa: a gente trabalha com mais de 60 aí, cê sabe disso; problemas tem, com certeza, mas o negócio dela é tudo problemático", teria dito Vedoin. Para a PF, o número 60 seria uma referência a parlamentares e assessores comprometidos com o bando.

Provas
O juiz retardou o envio das listas com os nomes dos parlamentares para conseguir reunir provas contundentes contra os funcionários, empresários e assessores parlamentares envolvidos no esquema de desvio de verbas públicas. Como deputados, senadores e prefeitos têm foro privilegiado e qualquer citação exigiria remeter os autos da investigação a outras autoridades, o que poderia provocar vazamentos de informação e prejudicar as investigações.

Ontem, a "Operação Sanguessuga" da Polícia Federal prendeu 45 pessoas ligadas às denúncias. Entre os detidos estão os ex-deputados federais Carlos Rodrigues (PL-RJ) e Ronivon Santiago (PP-AC), acusados de envolvimento em um megaesquema de corrupção, especializado em fraudar procedimentos públicos para a compra de ambulâncias. Pelo menos 14 dos presos ontem seriam servidores de gabinetes de parlamentares no Congresso.

O diretor regional-executivo da Polícia Federal em Mato Grosso, Tardelli Boaventura, informou ontem que enviou também o nome de todos os possíveis envolvidos no esquema aos presidentes do STF, Ellen Gracie, da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

"Encaminhei a essas autoridades para que elas possam tomar as providências que acharem necessárias", disse o delegado. Ele informou ainda que há muitos diálogos obtidos que mostram assessores citando o nome de seus chefes como sabedores da fraude.

Redação Terra