Soldados bolivianos ocuparam a refinaria Gualberto Villarroel, operada pela Petrobras |
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De acordo com a assessoria de imprensa do Planalto, a reunião começou por volta de 10h, com a presença do vice-presidente da República, José Alencar, e dos ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça), Guido Mantega (Fazenda), Tarso Genro (Relações Institucionais), Silas Rondeau (minas e Energia) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência da República). Mais tarde chegaram a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) e o presidente da Petrobras.
Telefonema
O presidente Lula deve ainda telefonar nesta terça-feira para seu colega boliviano, Morales, para tratar dos prejuízos causados ao Brasil pela nacionalização das empresas que possuem refinarias de hidrocarbonetos na Bolívia. Ontem, ao ser informado da medida boliviana, Lula recomendou que não houvesse reações precipitadas por parte de membros do governo brasileiro.
Ainda não se sabe se a Petrobras será indenizada nem como ficará o preço do gás boliviano no Brasil. A empresa brasileira tem investimentos de mais de US$ 1 bilhão na Bolívia e responde por cerca de 45% da produção de gás no país.
O chanceler Celso Amorim, que está em Genebra, na Suíça, estava jantando com o secretário de Comércio dos EUA, Robert Portman, e sua sucessora designada, Susan Schwab, quando foi avisado da crise. Ele interrompeu o jantar para cuidar do assunto e antecipou sua volta a Brasília para hoje, um dia antes do previsto. Como não chegará a tempo de participar da reunião com Lula, o representante do Itamaraty será o secretário-geral, embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que esteve na Bolívia na semana passada.
A ministra Dilma Rousseff, da Casa Civil, que estava nos EUA, também antecipou a volta. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, ela cancelou uma visita de dois dias que faria a Washington após receber um telefonema do presidente Lula na tarde de ontem, pedindo que retornasse imediatamente.
O decreto do presidente da Bolívia, Evo Morales, pegou outros países de surpresa. Cerca de 20 multinacionais fizeram investimentos na Bolívia. Diplomatas acreditam que essas empresas terão de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) por quebra de contrato por parte de Morales.
Internamente, o governo brasileiro avalia que a atitude da Bolívia não terá efeitos no fornecimento de gás natural para o Brasil no curto prazo. A Bolívia não tem a tecnologia para produzir o gás e os demais derivados e depois exportá-los. Além disso, não há outro mercado para o gás boliviano que não seja seus vizinhos.
Segundo a interpretação do governo, trata-se de uma tentativa, por parte da Bolívia, de aumentar o preço do gás fornecido ao Brasil. Na área política, porém, avalia-se que Morales está encantado com o crescimento de sua popularidade em cima do discurso nacionalista e está cedendo às pressões internas.
Redação Terra