Alckmin ataca ética do PT e rebate denúncias

03 de abril de 2006 • 03h33 • atualizado às 06h44

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) intensifica hoje sua campanha como pré-candidato tucano à Presidência da República endurecendo o discurso contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo no que se refere ao episódio envolvendo a violação do sigilo do caseiro Francenildo Costa - que acabou por derrubar Antonio Palocci do Ministério da Fazenda. Segundo afirmou ao jornal Folha de S.Paulo, no PT "os fins justificam os meios" e abrem um precedente de casos semelhantes "por interesse político".

Alckmin, que embarca hoje para Brasília a fim de iniciar a montagem de sua equipe de campanha, acusa o PT de ser autoritário e de "desperdiçar dinheiro público. Questionado sobre denúncias de uso de contratos publicitários no banco estatal Nossa Caixa, supostamente para "comprar" a fidelidade de aliados políticos, Alckmin afirma que tudo foi devidamente apurado.

Ele ainda classifica como "equívoco" causado "talvez" por "falta de experiência" a doação feita por um estilista de 400 vestidos à ex-primeira-dama Lu Alckmin.

A respeito das denúncias de corrupção no governo Lula e do episódio envolvendo Palocci, o tucano vê uma "enorme frouxidão ética" e declara que as urnas farão o "julgamento".

"Se formos verificar o todo, veremos uma enorme frouxidão ética, uma inoperância na gestão e um crescimento econômico aquém do que o Brasil deveria ter. O conjunto é muito ruim. A violação prejudica, mas o conjunto, mais ainda. Lula não tem mais o sonho, muito menos um governo aprovado. A reeleição implica primeiro um grande governo, e o dele é ruim", avalia Alckmin.

O ex-governador classifica como um "erro formal" o episódio envolvendo a Nossa Caixa com a intenção de diferenciar as acusações envolvendo o governo federal e seu próprio:

"Houve um erro, ele foi apurado, a própria Nossa Caixa percebeu o erro meramente formal. Todo contrato de publicidade já prevê sua prorrogação, é rotina isso. Quando o banco percebeu, ele mesmo rompeu o contrato, comunicou o Tribunal de Contas, o Ministério Público, abriu a sindicância, concluiu a sindicância, demitiu o responsável e encaminhou os processos", disse.

Aliança com o PMDB
Perguntado sobre a possibilidade de o PSDB se aliar ao PMDB nas eleições de outubro, formando uma "trinca" com o PFL, Geraldo Alckmin disse que uma aliança com três grandes partidos seria algo "muito bom".

Lembrando que o PMDB - assediado pelo presidente Lula para compor coligação no pleito deste ano - decidiu concorrer com candidato próprio (Anthony Garotinho), Alckmin afirmou que irá "esperar" por uma definição - a ala governista e outros setores do PMDB se declaram contra a candidatura própria, sobretudo por conta da verticalização, que obriga as siglas a repetirem nos Estados a aliança firmada em nível nacional.

Redação Terra
 
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