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 SP: banco do Estado teria beneficiado aliados de Alckmin
25 de março de 2006 19h23 atualizado em 26 de março de 2006 às 10h42

Emissoras de rádio, TV e revistas de São Paulo teriam sido beneficiadas por contratos de publicidade do banco oficial Nossa Caixa com a influência de deputados estaduais da base do governo de Geraldo Alckmin (PSDB), de acordo com a edição deste domingo do jornal Folha de S. Paulo. Os acusados citados na reportagem negaram as denúncias.

O jornal teria obtido documentos que confirmariam a interferência do Palácio dos Bandeirantes para beneficiar com anúncios e patrocínios os veículos indicados pelos deputados estaduais Edson Ferrarini (PTB), Vaz de Lima (PSDB), Afanásio Jazadji (PFL), Geralddo "Bispo Gê" Tenuta (PTB) e Wagner Salustiano (PSDB). Os parlamentares negaram favorecimento.

Ao analisar 278 pagamentos da Nossa Caixa a duas agências responsáveis pela publicidade do banco, uma auditoria apontou irregularidades em 255. O valor total dos contratos gira em torno de R$ 25 milhões. O caso está sendo apurado pelo promotor de Justiça da Cidadania Sérgio Turra Sobrane.

O presidente da Nossa Caixa, Carlos Eduardo Monteiro, afirmou, segundo a Folha, que "não consegue ver direcionamento político na veiculação de anúncios de R$ 200 mil e poucos". Segundo o dirigente, a Nossa Caixa é quem toma as decisões sobre a propaganda.

O assessor especial de Comunicação do governo do Estado, Roger Ferreira, também negou as acusações. "É absolutamente falso que os gastos em comunicação do governo do Estado de São Paulo obedeçam a quaisquer critérios que não sejam os técnicos", afirmou Ferreira, segundo o jornal paulista.

Além dos deputados, teriam sido favorecidos a Rede Vida e a revista Primeira Leitura, criada pelo ministro do governo FHC Luiz Carlos Mendonça de Barros. O diretor de redação da revista, Rui Nogueira, negou o suposto favorecimento. "A revista, de circulação nacional, 25 mil exemplares, teve durante algum tempo anúncios da Nossa Caixa, de páguna dupla, recebidos e pagos, como todos as outras publicidades. E ponto final", disse.

Mensagens eletrônicas recebidas pelo ex-gerente da Nossa Caixa Jaime Castro Júnior revelam como era feito o beneficiamento. Os e-mails mostram que as ordens partiam do assessor de Comunicação do governo, Roger Ferreira.

O assessor disse, segundo a Folha, que a Nossa Caixa "possui autonomia para realizar a sua comunicação da maneira que considerar mais adequada". Para Ferreira, o governo de Geraldo Alckmin "não faz interferências nessas ações e não interfere nas ações de comunicações de outras estatais".

Redação Terra