Notícias » Notícias

 "A economia está no céu e minha vida, no inferno", diz Palocci
24 de março de 2006 13h51 atualizado às 21h08

Palocci reconheceu que evitou a imprensa . Foto: EFE

Palocci reconheceu que evitou a imprensa
Foto: EFE

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou hoje que a sua vida é "um inferno de Dante" enquanto que a economia é "um céu de brigadeiro". A declaração foi feita durante um almoço com empresários na Câmara Americana de Comércio (Amcham) na posse do conselho de administração da entidade. Foi a primeira vez que ele se pronunciou desde que o caseiro Francenildo Santos Costa declarou que ele freqüentava uma mansão alugada em Brasília por ex-assessores que trabalharam com Palocci em Ribeirão Preto. A casa seria utilizada para a distribuição de dinheiro de propina arrecadado na cidade paulista.

» Fórum: opine sobre as declarações de Palocci
» PF localiza um dos suspeitos de quebra de sigilo

"A economia começa a voar em céu de brigadeiro e o ministro da Fazenda está mais para o lado do inferno", afirmou Palocci. Segundo ele, as denúncias que envolvem o seu nome não têm afetado a economia brasileira, que está preparada para enfrentar essas turbulências. Palocci disse ainda que a política econômica tem o respaldo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seu discurso aos empresários, Palocci não se referiu diretamente ao escândalo do caseiro que vem envolvendo o seu nome. "Há um recrudescimento no processo político no Brasil, mas isso não vai afetar a economia", afirmou. Ele atribuiu as denúncias contra ele a pessoas "que não vêem limites entre crítica e respeito".

Segundo o ministro, quando a crítica é "desenfreada, com agressões à vida pessoal", ele se afasta. "É a atitude que eu tomo. Não sei se é certo ou errado, o que eu sei é que não vou envolver o Ministério da Fazenda e as instituições em que sou responsável em uma situação como essa".

O ministro reconheceu que tem evitado a imprensa e justificou a sua atitude dizendo que, para proteger a economia e as instituições pelas quais ele é responsável, não pode fazer debates "sobre esses temas que estão sendo colocados". "Não me recuso a fazer debate político, com toda a disposição para dar qualquer esclarecimento. O que é natural do ano político, às vezes chega a um nível de exagero", diz.

"Nesse período de crise, houve erros de todos os lados. O governo cometeu erros, meu partido cometeu erros, eu certamente cometi erros e todos nós temos que pagar pelos erros que cometemos, mas não se pode transformar o debate político em uma crise sem fim" disse.

Palocci prevê que as conturbações políticas podem afetar as eleições. "Precisamos ter serenidade para atravessar isso, senão teremos uma eleição muito agressiva que acabará atingindo o eleitor", disse. "Acima de nós estão as instituições, está o Brasil", finalizou.

Redação Terra