Cláudia Silva Jacobs
Brasil
Anistia Internacional, Oxfam, Survival Internacional, Anti-Slavery Internacional, Christian Aid, Friends of the Earth (Amigos da Terra) e Cafod (Agência Católica para o Desenvolvimento Exterior) fizeram um pedido para se reunir com Lula para tratar de assuntos que vão desde trabalho escravo até o desmatamento de áreas de preservação ambiental.
Fiona Watson, da Survival Internacional, disse que a organização gostaria de levar ao presidente denúncias sobre o desmatamento no norte do Mato Grosso, que estaria chegando próximo a área demarcada da tribo Enawene Nawe.
Desmatamento
De acordo com Fiona Watson, que esteve na reserva indígena entre agosto e setembro do ano passado, a região vem sendo desmatada para o cultivo principalmente da soja, e os índios já estão preocupados com a proximidade do desmatamento e com a poluição, por agrotóxicos, do Rio Preto, fonte básica de subsistência da tribo, mas que fica fora da área demarcada.
"Os índios não comem carne vermelha e se alimentam basicamente de peixe. Por isso, estão com medo que os agrotóxicos poluam a água do rio", disse Watson.
A representante da Survival disse que o grande problema é a falta de apoio da Funai que prometeu criar uma comissão técnica para avaliar as áreas demarcadas, o que ainda não ocorreu.
"Eu já estive duas vezes com o presidente da Funai, Mércio Gomes. A Funai vem prometendo criar o grupo técnico - formado de técnicos e antropólogos -, mas nada aconteceu".
"O problema é que os índios alegam que a situação é muito urgente e a cada dia a região é mais devastada e não dá para esperar até que a Funai tenha condições de criar um grupo técnico", disse Fiona Watson.
De acordo com a assessoria de imprensa da Funai, a fundação tem um projeto de constituição de um grupo de trabalho que irá estudar a situação do Vale do Rio Preto. A Funai, no entanto, ainda está esperando a obtenção de recursos para desenvolver o projeto. A fundação já está em negociações com o Ibama, mas a expectativa é de que até o final do ano o projeto esteja em andamento.
A Fundação afirmou ainda que está programado para o segundo semestre deste ano a realização de um seminário para tratar da questão das tribos de contato recente, como é o caso dos Enawene Nawe, que só foram descobertos há 25 anos e vivem hoje em uma reserva de 742 mil hectares.
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