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Beira-Mar é transferido para presídio em SP

27 de fevereiro de 2003 05h28 atualizado às 09h54

Beira-Mar durante depoimento no Fórum do Rio . Foto: Jornal do Brasil

Beira-Mar durante depoimento no Fórum do Rio
Foto: Jornal do Brasil

O traficante Luis Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido na madrugada de hoje do complexo Penitenciário de Bangu I. O criminoso foi levado para a Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Bernardes, no interior do São Paulo, considerado o mais seguro do país. Beira-Mar vai ficar em uma cela isolada.

O presidente Luiz Inácio da Silva e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, vão se reunir hoje para definir o futuro do traficante Fernandinho Beira-Mar.

O avião que levou o Fernandinho Beira-Mar decolou Base Aérea de Santa Cruz à 1h10. Depois de 3h30 de viagem aterrissou no aeroporto municipal de Presidente Prudente. Um comboio de 12 carros da polícia civil e militar, com 40 agentes, escoltou o criminoso até a cidade vizinha de Presidente Bernardes onde fica presídio de segurança máxima.

O traficante ainda poderia ter outro destino. A hipótese de ser transferido para Brasília, onde poderia ficar no presídio da Papuda ou na carceragem da Polícia Federal, também foi cogitada. A decisão de tirar Beira-Mar do Rio de Janeiro foi tomada no final da noite de ontem, motivada pelas ações de vandalismo no Rio durante três dias consecutivos, desencadeadas a mando do tráfico de dentro do presídio carioca.

Hoje, o presidente Luiz Inácio da Silva e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos vão se reunir às 9h para definir o futuro do traficante Fernandinho Beira-Mar. Lula e o ministro devem discutir, em Brasília, os detalhes sobre a transferência de Beira-Mar e decidir onde o criminoso deve ficar preso.

Na madrugada de hoje, criminosos voltaram a atacar a cidade, incendiando seis ônibus e apedrejando alguns carros. A antiga estrada Rio-São Paulo, na Baixada Fluminense chegou a ser fechada. De acordo com os bombeiros, ninguém ficou ferido.

A Polícia Militar do Rio de Janeiro divulgou no final da tarde um balanço parcial da operação "Rio Seguro". Dois traficantes foram mortos em troca de tiros com a polícia na favela do Jacarezinho, na zona norte da cidade. Foram detidas 78 pessoas e apreendidas onze armas. Foram apreendidos também 41 quilos de maconha prensada, quatro quilos de cocaína, 806 papelotes de cocaína e 11 tabletes de maconha.

Beira-Mar, pivô do crime
O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, é um dos maiores traficantes de armas e drogas da América Latina. O criminoso é integrante da facção criminosa Comando Vermelho e tem ligações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Depois de se estabelecer como um dos líderes do tráfico no Rio de Janeiro, Beira-Mar foi preso em 1996, mas não ficou detido nem por um ano. Ele fugiu pela porta da frente de um presídio de Belo Horizonte. Agentes penitenciários foram acusados de ajudar na fuga do traficante, mas nada foi comprovado oficialmente.

Foragido, Beira-Mar viveu em países vizinhos como Paraguai, Uruguai e Bolívia. Na Colômbia, estabeleceu contatos com as Farc e deu início ao tráfico de armas. Foi preso em 21 de abril de 2001 e extraditado para o Brasil no ano passado.

Preso em Bangu 1, liderou uma megarebelião no dia 11 de setembro. A onda de violência se alastrou pela cidade sob forma de boatos. O comércio fechou as portas em vários pontos do Rio de Janeiro, temendo a ação de traficantes. Na rebelião em Bangu 1, quatro presos foram assassinados, entre eles Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, um dos adversários de Beira-Mar.

O traficante foi transferido, junto com outros seis comparsas, para o Batalhão de Choque da Polícia Militar, no Rio, onde todos eram vigiados 24 horas por dia. Enquanto isso, o presídio de Bangu 1 passava por uma reforma geral após o motim. Beira-Mar retornou para o presídio em 26 de outubro.

Fernandinho Beira-Mar está sendo apontado como um dos responsáveis pelas ações criminosas que atingem o Rio desde segunda-feira. Ele teria dado ordens de instalação da desordem. Ônibus foram queimados nas ruas e prédios comerciais foram metralhados.

Redação Terra