Considerada filha caçula de Vilma, Roberta - que um teste de DNA divulgado pela polícia na quarta-feira revelou ser Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, bebê seqüestrado da Maternidade de Maio em 1979 - tem a paternidade atribuída a Rassi por Vilma.
Osvaldo Martins Borges Júnior, o Pedrinho, esteve no hospital para uma visita à mãe adotiva. "Ela está bem. Esse tipo de problema costuma acontecer com freqüência com minha mãe", afirmou Pedrinho, dizendo que Vilma entra em crise sempre que enfrenta uma situação de alto estresse.
A empresária Vilma Costa, suspeita do seqüestro dos filhos de criação Pedrinho, 17 anos, e Roberta Jamilly, 24 anos, havia escapado do recebimento de uma intimação judicial alegando um infarto. O oficial de Justiça Túlio Nery pretendia entregar a intimação na sexta-feira para que Vilma prestassse depoimento na 2ª Vara de Família de Goiânia.
No momento em que o oficial de justiça tentava entrar na casa de Vilma, a empresária entrou correndo em um carro, dizendo estar sofrendo um ataque cardíaco, e seguiu para o hospital Jardim América, em Goiânia, onde foi internada devido a uma crise de hipertensão.
Roberta também tentou escapar da intimação, mas acabou assinando o documento. A juíza pediu que Roberta e Vilma se apresentem no dia 5 de março no Fórum da cidade para coleta do material com o qual será realizado um novo exame de DNA.
Apesar da crise de hipertensão, o advogado de Vilma Costa garantiu que sua cliente assinaria o documento na sexta pela manhã, mas ainda não havia informação se o documento foi mesmo assinado. Na quinta-feira, o fazendeiro Jamal Rassi, de 74 anos, que acreditava ser o pai de Roberta Jamilly, irmã de criação do garoto Pedrinho, divulgou que está processando Vilma Costa e Roberta, e pede indenização por danos morais e materiais. Sua advogada diz que ele foi forçado a sustentar a filha que Vilma dizia ser dele.
Quarta-feira a polícia divulgou o resultado do exame de DNA realizado com a saliva de Roberta, comprovando que a jovem não é filha de Vilma Costa. Vilma também é acusada do seqüestro de Pedrinho. Antônio Gonçalves, delegado responsável pelo inquérito, confirmou que Roberta é na verdade Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, seqüestrada há 23 anos. O delegado obteve a saliva da jovem recolhendo tocos de cigarro fumados por Roberta durante seu depoimento.
O código genético da saliva de Roberta foi confrontado com o DNA do sangue da sua mãe biológica. Apesar de controverso, a legalidade do exame é defendida pelo delegado porque o material foi descartado por Roberta, não caracterizando invasão de privacidade.
Em janeiro deste ano, três enfermeiras que trabalhavam no Hospital Municipal de Taquaral, onde nasceu Roberta, denunciaram que Vilma teria encenado o parto da criança. O diretor da instituição é suspeito de ter colaborado com o seqüestro. Vilma deu entrada no hospital para realizar uma cirurgia de retirada de gordura, e saiu com uma criança nos braços. Na quinta-feira, Roberta Jamilly se encontrou pela primeira vez com sua mãe biológica, a dona de Francisca Maria Ribeiro da Silva. A jovem afirmou, ao deixar a casa da mãe verdadeira, que o encontro foi "muito emocionante".
Além do seqüestro de Roberta Jamilly, Vilma Martins Costa também é acusada de ter roubado o garoto Pedrinho, registrado por ela com o nome de Osvaldo Martins Borges Júnior, da maternidade Santa Lúcia, em Brasília, há 17 anos. Em 1986, ano de nascimento do garoto, o caso ficou conhecido nacionalmente devido às buscas protagonizadas pelos pais biológicos, Jayro e Maria Auxiliadora Tapajós.
Redação Terra