Mãe que jogou filha em lagoa será indiciada

30 de janeiro de 2006 • 19h39 • atualizado às 22h30
Menina passou por exames e está bem de saúde Foto: Futura Press
Menina passou por exames e está bem de saúde
30 de janeiro de 2006
Foto: Futura Press

Os delegados responsáveis pelas investigações do caso do bebê que foi jogado, em um saco plástico, na Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, afirmaram que a mãe da criança será indiciada por tentativa de homicídio. Para Hélcio Sá Bernardes e Wellington Peres Barbosa, tudo indica que a intenção de Simone Cassiana da Silva era matar a filha e não simplesmente abandoná-la.

De acordo com a Globo Minas, serão pedidos exames periciais, como o de DNA, e tomados novos depoimentos já nesta terça-feira. Os primeiros a serem ouvidos serão os familiares de Simone. A polícia quer saber se eles realmente não sabiam da gravidez, conforme afirmam. Além disso, com informações de pessoas próximas, a polícia pretende traçar o perfil da acusada, para descobrir quais foram as motivações do crime.

A defesa de Simone tenta comprovar que ela sofria de depressão. Com isso, conseguiriam que o indiciamento fosse por tentativa de infanticídio, o que reduziria a pena em caso de condenação - de 20 para seis anos, no máximo. De acordo com a maternidade onde ela ganhou o bebê, Simone teria dito, antes do parto, que fazia tratamento anti-depressivo.

De acordo com as investigações preliminares, nem mesmo o namorado de Simonem, que é advogado, saberia da gravidez da mãe, assim como a família e amigos. As declarações dos dois são contraditórias.

A mãe da criança diz que vivia com o namorado há sete meses. Já ele, em conversa informal com os delegados, afirma que na verdade dividem a mesma casa há dois anos. Ele se apresentou a polícia no início da noite desta segunda-feira. A polícia vai fazer um exame de DNA para verificar se ele é mesmo o pai da criança.

Os delegados ainda disseram que não acreditam nas versões apresentadas por Simone e acham que ela agiu com a intenção de matar e não sentiu culpa. Segundo eles, no momento da prisão, Simone negou ser mãe da menina. Depois ela teria mudado a versão, contou que não tinha condições psicológicas de cuidar da criança.

Conforme contaram os delegados, ela teria saído de casa para deixar a menina com a mãe, mas no caminho encontrou uma moradora de rua, a quem teria dado R$ 5 para que desaparecesse com a criança. Durante a gravação do salvamento da criança, um homem afirma ter visto uma mulher correr assustada e entrar em um táxi.

Uma assistente social do juizado de menores disse, em entrevista coletiva, na tarde desta segunda-feira, que será feito um estudo da mãe da criança e depois com os familiares. Se nenhum deles manifestar interesse em ficar com a menina, ela será encaminhada para adoção. O processo pode demorar até um ano.

A menina passou por uma série de exames e, apesar de ter tido contato com a água poluída da lagoa, está bem de saúde.

Redação Terra
 
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