Traficantes de favelas cariocas controlam a rotina dos funcionários de prestadoras de serviços públicos. A ação atinge os empregados de empresas telefônicas, de correspondência, coleta de lixo, saneamento básico, companhias elétricas e até atendimento médico.
Os chefões do tráfico determinam o horário das atividades, quais funcionários devem executá-las e ainda cobram pedágio para permitir que as empresas atuem na região controlada. Em caso de tiroteio ou ameça de invasão, os serviços são suspensos.
Há relatos de trabalhadores ameaçados, seqüestrados e mantidos sob a mira de armas, revela o jornal Folha de S.Paulo.
A entrada de ambulâncias é proibida nas favelas e técnicos da Light não atendem problema ligados a "gatos" - ligações clandestinas - na fiação elétrica. O serviço dos Correios só pode ser feito por um carteiro. Caso ele falte, os moradores devem buscar as cartas no centro de distribuição mais próximo. Se for substituído, o novo empregado deve ser apresentado à comunidade.
Funcionários de uma empresa de telefonia não podem entrar nas favelas depois das 17h, o horário de pico das atividades do tráfico. Eles também não podem fazer ajustes nos postes e são obrigados a instalar linhas de graça para os traficantes.
A coleta de lixo não pode ser realizada à noite, por causa dos tiroteios. Na maioria das favelas está proibida a entrada da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb); o serviço é feito garis comunitários, indicados pelos comandantes do tráfico.
Redação Terra