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Favela de bairro nobre de SP é demolida para obra viária

13 de janeiro de 2006 14h17 atualizado às 17h29

Moradores observam demolição de parte da favela do Jardim Edite. Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra

Moradores observam demolição de parte da favela do Jardim Edite
Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra

A prefeitura de São Paulo iniciou nesta semana a retirada das primeiras 147 famílias da favela do Jardim Edite, no bairro do Brooklin, em São Paulo, para a realização das obras do Complexo Viário Jornalista Roberto Marinho. Estima-se que cerca de 400 famílias habitem o local.

  • Veja fotos da demolição

    De acordo com dados da Secretaria Municipal da Habitação, nesta primeira etapa, a Prefeitura desembolsou cerca de R$ 1 milhão em indenizações, com dinheiro vindo do Fundo Municipal de Habitação.

    Como não há nenhum projeto habitacional destinado aos moradores da área, cada família terá de se realocar com o dinheiro da indenização, negociado caso a caso.

    O bairro do Brooklin é um dos mais valorizados da região sul de São Paulo e teve o seu "boom" imobiliário nos anos 90, quando uma frenética construção de escritórios empresariais teve início na região da avenida Engenheiro Luiz Carlos Berrini.

    A favela do Jardim Edite fica justamente no cruzamento dessa via com a avenida Jornalista Roberto Marinho (antiga Água Espraiada). Ela serviu como parte da locação do filme "O Invasor".

    O filme teve a participação do rapper Sabotage, que viveu no local. Sabotage foi morto em janeiro de 2003, a tiros, na avenida Abraão de Morais, na Zona Sul de São Paulo.

    Construída na gestão do prefeito Paulo Maluf (1992-1996), a avenida Água Espraiada tem os seus contratos questionados até hoje na Justiça, já que existem indícios de superfaturamento das obras.

    O local onde está instalada a favela será utilizado como acesso ao complexo viário que está em obras. A retirada dos moradores do local é uma proposta antiga, mas nunca houve consenso. Um dos planos que não foi à frente previa a construção de um conjunto habitacional no próprio local que agora está sendo desapropriado.

    Obra
    A construção do complexo viário começou no início do segundo semestre de 2004, na gestão Marta Suplicy (PT-SP). A obra começou a ser viabilizada depois do leilão de 100 mil Cepacs (Certificados de Potencial Adicional de Construção), que rendeu à Prefeitura R$ 35 milhões.

    Os Cepacs são títulos que possibilitam aos seus compradores (invariavelmente construtoras) realizar obras acima dos limites fixados pela Lei de Zoneamento. De acordo com a legislação, a Prefeitura só pode usar esses recursos em melhorias na região onde são permitidas as obras em regime especial.

    No início da gestão do prefeito José Serra (PSDB-SP), a obra foi paralisada por 100 dias, para reavaliação do contrato, além de revisão técnica e financeira do projeto.

    O projeto prevê a construção de duas pontes suspensas por cabos de aço de 1,2 mil metros de extensão cada uma.

  • Redação Terra