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General brasileiro é encontrado morto no Haiti

07 de janeiro de 2006 12h00 atualizado em 14 de novembro de 2006 às 17h56

O general Bacellar comandava missão da ONU no Haiti. Foto: AP

O general Bacellar comandava missão da ONU no Haiti
Foto: AP

O general brasileiro Urano Teixeira da Matta Bacellar, comandante militar da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), foi encontrado morto neste sábado em seu quarto de hotel em Porto Príncipe, capital do Haiti, informou a Minustah. Bacellar tinha 57 anos.

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Autoridades das Nações Unidas informaram que ele teria se suicidado no hotel Montana, segundo a agência de notícias Reuters. Já o tenente coronel Fernando da Cunha Matos, assessor de informações públicas da força brasileira, informou à Agência Brasil que o general teria morrido em um "acidente com arma de fogo".

"O corpo do oficial brasileiro foi encontrado na manhã deste sábado em seu quarto do hotel Montana com um ferimento de tiro", segundo um comunicado da Minustah.

De acordo com fontes da missão, o corpo do general brasileiro foi levado para o hospital da missão da ONU, que está sob administração de oficiais argentinos.

Natural do município de Bagé, no Rio Grande do Sul, o general Bacellar assumiu suas funções no Haiti em 31 de agosto de 2005, como substituto do general Augusto Heleno Pereira.

Como comandante da missão de paz, o general Bacellar enfrentava uma onda de violência no Haiti. Em entrevista recente, ele comentou que as Nações Unidas vinham fazendo "um trabalho cuidadoso" para tentar preservar a população, mas reclamou que os agressores viviam de "seqüestros, assaltos e roubos de carros", e se mostravam "insensíveis" às tentativas de negociação feitas pelos militares da Força de Paz da ONU.

A força militar da Minustah conta com 7.500 homens de 14 países. O Brasil possui o maior contingente com um efetivo de 1.213 oficiais e soldados, seguidos do Nepal, da Jordânia e do Sri-Lanka com cerca de 750 militares. A Argentina, o Chile, o Uruguai, o Peru, a Espanha e o Marrocos também contribuem com a Missão de Estabilização das Nações Unidas no país.

Violência
Para alguns analistas, a série de seqüestros e violência teria o objetivo de desestabilizar o governo antes das eleições, as primeiras do Haiti desde a queda do presidente Jean-Bertrand Aristide, numa revolta armada em fevereiro de 2004.

As eleições presidenciais estavam marcadas para novembro, mas foram adiadas várias vezes por problemas de desorganização.

Fontes policiais estimam que pelo menos 1.900 pessoas foram seqüestradas entre março e dezembro, bem debaixo dos olhos da missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), liderada pelo Brasil.

A polícia haitiana não divulga estatísticas oficiais sobre o número de seqüestros, mas a fonte que colocou o número em torno de 1.900, um inspetor-geral, também afirmou que dezenas de oficiais da polícia estão envolvidos.

O presidente da Câmara de Comércio do Haiti, Reginald Boulos, disse que cerca de 400 pessoas, incluindo vários executivos, foram seqüestradas só em dezembro.

Eleições
O Haiti é governado desde fevereiro de 2004 por um poder interino. Nesta sexta-feira, a ONU realizou uma reunião urgente para pedir eleições gerais em 7 de fevereiro.

Ao longo de 2005, o Governo interino haitiano adiou as eleições quatro vezes. A última data prevista para o pleito era o próximo dia 8.

A princípio, o atual governo interino, instalado após a queda do presidente Jean Bertrand Aristide, deveria transferir o poder para um novo Executivo eleito em 7 de fevereiro. O mandato de Aristide, de acordo com a Constituição, terminaria nesta data.

Redação Terra