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 Testemunha do caso Serrambi é identificada
05 de janeiro de 2006 14h11

Uma testemunha citada no inquérito da Polícia Federal, mas nunca ouvida em nenhuma fase das investigações, veio à tona, na quarta-feira, durante o parecer do promotor Miguel Sales, sobre a morte de Maria Eduarda Dourado e Tarsila Gusmão, em maio de 2003.

Sales revelou que, na madrugada do dia do crime, uma mulher ligou para o Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciods), informando que, na beira-mar do Condomínio Serrambi, duas jovens estavam sendo agredidas. De acordo com os autos apresentados pelo promotor, a denunciante, identificada pelo nome de Creuza Barbosa, jamais foi convocada para depor.

"Dentre todas as falhas de investigação que levantei no inquérito, essa foi a mais grave. Como é que uma pessoa dessas foi desconsiderada nas ouvidas, cujo depoimento poderia ser crucial para chegarmos mais rápido a uma conclusão definitiva", disparou Miguel Sales. Segundo o que foi extraído por ele dos documentos da PF, Creuza estava em Serrambi, na casa de veraneio de seu pai João Francisco, irmão do deputado federal Joaquim Francisco, e utilizou o celular do caseiro, Cícero José dos Santos, para informar ao 190 o que presenciava naquele momento. Ela estava a 500 metros da residência de Tiago Carneiro, onde as vítimas estavam hospedas. Por volta da meia-noite, a ocorrência foi repassada ao 18° BPM, responsável por aquela região.

Sobre esse episódio, a PF colheu o depoimento apenas dos dois policiais que foram acionados para verificar a ocorrência. Um deles foi o soldado Sérgio Matias, o qual confirmou o fato e explicou que três pessoas, que participavam da festa na casa de Tiago Carneiro, estavam na praia quando ouviram gritos. "Segundo o que foi relatado, duas pessoas gritavam, enquanto uma terceira as agredia", explicou o promotor. Andrade Filho, também PM, acrescentou que foi deslocado para intervir numa discussão entre homens e mulheres na beira da praia. Ao vasculhar a área, ele e um outro soldado nada encontraram. O deponente acredita que muitos viram, mas se esquivaram de dar informação para não entrarem como testemunhas.

Segundo o promotor, a PF não explicou porque foi solicitada a comparação entre os fios de cabelo das vítimas, com outros encontrados num flat, em Boa Viagem. O laudo foi solicitado pela administradora do prédio, Ana Rosa Rodrigues, após constatar vestígio de sangue no apartamento. "Ela também não foi ouvida ainda, como também outros apontados no inquérito, como os irmãos Thiago e Bruno Vieira. Thiago tem uma casa em Toquinho, a qual Tarsila costumava freqüentar".

Agência Nordeste
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