inclusão de arquivo javascript

 
 

Escutas revelam crueldade de traficante "convertido"

26 de dezembro de 2005 01h14 atualizado às 02h41

Escutas revelam que o traficante Róbson André da Silva, o Robinho Pinga, preso na última sexta-feira em Sorocaba (SP), usava freqüentemente o telefone para encomendar a morte de desafetos e ordenar ações para tomar bocas-de-fumo no Rio de Janeiro. Robinho era o traficante mais procurado daquelele Estado e, neste domingo, foi levado para a capital fluminense, onde deve permanecer detido.

  • Leia mais reportagens do jornal O Dia

    As ordens de execuções contrastam com o olhar tranqüilo, camisa e calça sociais e a Bíblia nas mãos exibidos pelo traficante na chegada ao Rio. Robinho Pinga se diz convertido ao Evangelho há dois anos, através das pregações do Pastor Marcos Silva, da Igreja Assembléia de Deus dos Últimos Dias.

    As conversas telefônicas gravadas pela polícia, no entanto, revelam a natureza violenta de Robinho Pinga. Da favela Senador Camará, no Rio, por exemplo, o traficante Claudinho Nonô presta contas ao chefe sobre uma morte determinada por ele. Mas as conversas com outro traficante, conhecido como Léo Macarrão, mostram todo o interesse de Robinho na guerra interna de sua facção, o Terceiro Comando Puro (TCP), pelo controle das bocas-de-fumo do Morro do Estado, em Niterói (RJ).

    Em 14 de dezembro, na primeira conversa entre eles, Léo, criado na comunidade de Niterói e refugiado na Favela da Coréia, em Camará, conversou com Robinho minutos depois do primeiro ataque para tentar retomar o controle da favela, então sob as ordens do traficante Leandro Ferreira da Costa, o Bombom, de 24 anos.

    Naquela noite, o grupo de Léo chegou a matar um rival, mas falhou na missão. O que o obrigou a praticamente implorar pelo perdão de Robinho durante a conversa: "...Vou voltar sem deixar a falha que deixei nessa... Brigadão pela moral. Agradecido legal pelo que você faz por mim. Tamo junto, só tenho a te agradecer".

    O novo ataque aconteceu por volta das 21h de sexta-feira, 16 de dezembro. O "bonde" de Léo Macarrão, desta vez, conseguiu o objetivo traçado pelo bandido, com o aval de Robinho: dois homens morreram imediatamente e Bombom, com tiros de fuzil e as pernas quebradas depois de pular de uma ribanceira de 15 metros, foi internado em estado grave no Hospital Antônio Pedro, em Niterói. Na tarde seguinte, o chefe quer notícias da guerra:

    "Estourei a cara de dois e botei dois no CTI, inclusive o Bombom. Ficou gostosinho", conta Macarrão.

    Chefão ironiza gravidade do ferimento em rival
    Robinho chega a profetizar a morte do rival: "Se pegou firme mesmo, não tem como escapar. Fica um diazinho, mas depois... Esse bagulho machuca muito", diz ele, que no dia 21, em nova conversa, recebe a notícia da morte de Bombom.

    "Foi enterrado. Vinte pessoas no enterro", ironiza Léo. Ao saber do sofrimento de Bombom enquanto não era socorrido, após levar os tiros e quebrar as pernas, Pinga mostra sua frieza sanguinária: "Pra ele foi até melhor".

  • O Dia
    O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.