Angolana vira miss em sua estréia na passarela

25 de novembro de 2005 • 02h05 • atualizado às 04h23
Acusada de tráfico de drogas, angolana ganha concurso de beleza em sua estréia Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra
Acusada de tráfico de drogas, angolana ganha concurso de beleza em sua estréia
24 de novembro de 2005
Foto: Reinaldo Marques/Redação Terra

Vagner Magalhães

São Paulo


A angolana Angélica Mazua, 23 anos, eleita nesta quinta-feira a mais bela presa do Estado de São Paulo, sonha em trabalhar com moda. Mas antes disso, diz esperar a absolvição.

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A detenta, que ainda aguarda julgamento, conta porque veio ao Brasil e o caminho que a levou à prisão no aeroporto de Guarulhos, quando embarcava de volta para Luanda, a capital de Angola.

De acordo com ela, a viagem começou com um objetivo: a compra de roupas nas lojas populares da rua 25 de março e do bairro do Brás para a revenda em Angola. Segundo Angélica, era a terceira vez que ela vinha ao Brasil para realizar essa atividade.

Feitas as compras, o problema começou justamente no retorno para casa. Acompanhada de uma amiga, que também veio com ela, as duas foram detidas pela Polícia Federal, que encontrou cocaína dentro do calçado das duas. A amiga também está presa na Penitenciária Feminina da capital.

Ainda assim, ambas se dizem inocentes, enganadas por um amigo também angolano. De acordo com a versão delas, ele havia pedido um favor às duas: que levassem cerca US$ 10 mil à sua mulher, que vive em Luanda.

"Essa pessoa nos convenceu a levar o dinheiro, mas disse que era perigoso andar com ele na bolsa, ou preso ao corpo. Ele disse para levarmos a quantia dentro de pares de tênis, já que assim não haveria problema", explica Angélica.

De acordo com Angélica, em vez do dinheiro, a droga foi colocada por baixo do solado, sem que ela soubesse. "Quando estávamos para embarcar, a Polícia Federal nos levou para uma sala e fez o flagrante. Quando disseram que havia cocaína no tênis eu não queria acreditar. Chorei muito".

A angolana conta que os primeiros dias de cadeia foram muito difíceis e que até agora ainda não se acostumou com a nova vida. "Não é fácil. Minha família está toda em Angola (pai e sete irmãos). Mas tenho muita esperança de que possa ser absolvida."

A pena para o tráfico de drogas pode variar entre três e 15 anos, de acordo com o artigo 12 do Código Penal brasileiro.

Angélica conta que neste concurso foi a primeira vez que ela pisou numa passarela. "Muita gente já tinha falado antes para eu me inscrever nesse tipo de concurso, mas eu nunca levei muito a sério. Gosto muito de moda e quando sair daqui, gostaria de trabalhar com isso."

Redação Terra
 
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