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Domingo, 13 de novembro de 2005, 15h32

Morre ambientalista que ateou fogo ao corpo no MS

Morreu na manhã do sábado o ambientalista que ateou fogo ao próprio corpo em manifestação no centro de Campo Grande ontem. Francisco Anselmo Barros, presidente da Fuconams (Fundação para Conservação da Natureza de MS), estava internado na Santa Casa de Campo Grande e sofreu queimaduras em 100% do corpo.

Ele participava ontem de uma manifestação contra o projeto do governo do Estado que propõe a instalação de usinas álcool na Bacia do Alto Paraguai, que faz parte do Pantanal. Em meio às apresentações musicais e de artistas, Barros colocou dois colchonetes no chão, enrolou-os ao corpo, espalhou gasolina e ateou fogo.

O ambientalista teve queimaduras de 1º, 2º e 3º graus. Ele foi internado no Centro de Terapia Intensiva e respirava com a ajuda de aparelhos.

O gesto de Francelmo, como o ambientalista era chamado pelos amigos, surpreendeu pessoas próximas. Jorge Gonda, que também estava no protesto, disse que Barros participou normalmente do ato, depois entregou-lhe uma pasta e avisou que já voltava.

Logo surgiram as chamas no calçadão chamando a atenção de todos. As pessoas demoraram a descobrir que havia uma pessoa em meio ao fogo. Houve correria e foram sados cobertores e roupas de lojas próximas e um extintor para conter o incêndio.

O corpo de Barros foi velado por duas horas e sepultado no início da noite de domingo no cemitério Santo Amaro, em Campo Grande.

Ambientalista deixou cartas a amigos e familiares
O diretor jurídico da Fuconams, Douglas Ramos, ajudou a prestar socorro sem saber que se tratava do amigo, tamanha a extensão dos ferimentos. Na pasta que entregou a Gonda, o ambientalista deixou uma série de cartas a amigos, familiares e à imprensa, onde falava em dar a vida pela causa do Pantanal. Na mensagem à imprensa, ele registrou críticas ao poder público. Outra carta trazia recomendações sobre o velório.

O ambientalista, que também era jornalista, ocupou cargos no Conselho Municipal de Controle Ambiental, foi membro da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo, da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra, diretor executivo da Editora Saber Ltda, diretor executivo da Associação de Fomento e apoio às Artes e à Cultura em Geral. Filiado ao Fórum Brasileiro de ONGs, à Associação Brasileira de ONGs e participante da Rede Rios Vivos, Rede Pantanal, Rede Aguapé de Educação Ambiental, Rede Cerrado, Instituto Socioambiental, WWF, Conservation International e SOS Mata Atlântica e coordenador do Fórum de Meio Ambiente e Desenvolvimento de Mato Grosso do Sul e de Fórum de Defesa do Pantanal.

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Campo Grande News O ambientalista foi enterrado hoje em Campo Grande O ambientalista foi enterrado hoje em Campo Grande

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