"Muitos eleitores encararam o referendo como uma proposta deste governo, que é falso. A questão do controle de armas começou em 1997, quando a punição para porte de armas passou de mera contravenção para crime. Em seguida, há dois anos, aprovou-se o Estatuto do Desarmamento, que já vinha sendo discutido por toda a sociedade. Essa discussão ultrapassa o governo atual, disse Khan ao jornal O Globo, para quem a manutenção do comércio não significará o aumento do volume de compra de armas no Brasil.
"O estatuto é bastante rígido quanto à compra de armas, e isso não muda. Creio que quem nunca se interessou em comprar uma arma não vai pensar em adquirir uma só por causa do referendo".
Entrega voluntária
Khan também avalia que não será a vitória do "não" no referendo que vai aumentar ou diminuir a entrega voluntária de armas. "Quem tinha intenção de devolver uma arma, já devolveu. Quem deve continuar desarmando agora é a polícia, e esse trabalho será contínuo", avaliou ele, também diretor do Departamento de Cooperação e Articulação das Ações de Segurança Pública de São Paulo, administrado pelo PSDB.
Sou da Paz considera ter posto discussão em pauta
Para Jair Krischke, secretário-geral do Movimento de Justiça e Direitos Humanos, ONG que funciona no Rio Grande do Sul, Estado com a votação mais expressiva a favor do comércio de armas (84%), a manutenção da venda de armamentos não vai aumentar os índices de criminalidade no País.
"No Rio Grande do Sul temos uma arma para cada dez habitantes e 12 homicídios por arma de fogo por cem mil habitantes. No Rio de Janeiro há uma arma para cada 42 habitantes e 74 mortes a tiro por cem mil habitantes. Ou seja, não é a quantidade de armas que define o grau de mortalidade".
"O presidente do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, considerou parcial a derrota do "sim". Para ele, o fato de o assunto ter se transformado em pauta nacional já é uma vitória exemplar.
Redação Terra