"O 'ponto de virada' oferecido pela criação do Plano Nacional de Direitos Humanos, em 1996, não resultou nas reformas necessárias para assegurar que os brasileiros não sofressem mais tortura, ameaças e assassinatos por parte daqueles que deveriam protegê-los", diz Tim Cahill, pesquisador da Anistia Internacional no Brasil.
Faz nove anos também que a Anistia enviou pela primeira vez um relatório sobre a situação dos direitos humanos ao Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. O relatório de 2005 da Anistia está sendo publicado antes que o Comitê da Onu divulgue seu relatório periódico sobre a implementação do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos no País. O documento será apresentado em um encontro público em 26 e 27 de outubro em Genebra.
"Sucessivos governos colocaram os direitos humanos em posição secundária na política governamental. A falta de investimento, de vontade política e recursos financeiras na proteção dos direitos humanos continua a destruir as vidas de centenas de milhares de brasileiros", alerta o relatório.
Segundo a Anistia Internacional, enquanto as autoridades brasileiras conseguiram realizar avanços em algumas áreas, não foi oferecido suporte suficiente para produzir melhoras na base. Apesar da introdução de uma lei contra a tortura em 1997, um número muito pequeno de pessoas foi processada sob essa nova legislação.
A maioria dos casos continua sem registro, investigação e punição enquanto as vítimas da tortura ainda pertencem às camadas mais vulneráveis da sociedade, diz a instituilção. A maioria é pobre, jovens negros ou mestiços do sexo masculino, suspeitos de crimes, acrescenta.
A Anistia também alerta que os defensores dos direitos humanos têm sofrido ameaças de morte, processos por difamação e assassinatos. Até agora, autoridades federais e estaduais mostraram inabilidade para implementar medidas para garantir proteção para os que estão sob ameaça.
O relatório cita o Programa para a Proteção dos Defensores de Direitos Humanos, implementado pelo governo Lula no ano passado, como uma "notável contribuição" para promover o trabalho de ativistas. Entretanto, o programa ainda necessita de infra-estrutura para ser efetivamente implementado, conclui.
- Redação Terra


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