Bispo em greve de fome celebra missa em Cabrobó

04 de outubro de 2005 • 15h25 • atualizado às 21h59
Dom Cappio celebra missa no 9º dia de protesto Foto: Reuters
Dom Cappio celebra missa no 9º dia de protesto
04 de outubro de 2005
Foto: Reuters

O bispo Luiz Flavio Cappio celebrou nesta terça-feira uma missa em conjunto com o bispo Tomás Balduino, presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), e com padres de várias regiões do Nordeste, para lembrar o dia de São Francisco de Assis. Ele comemorou seu aniversário de 59 anos no nono dia de greve de fome em protesto contra a transposição do rio São Francisco. Dom Luiz Cappio promete persistir com o protesto "até a morte".

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    "Ele está um pouco mais fraco, mas lúcido, pedindo coerência ao governo", disse Roberto Saraiva, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo telefone desde Cabrobó, em Pernambuco. Várias outras cidades do país, como Belo Horizonte e Porto Alegre, registraram atos públicos e vigílias em nome da causa do bispo.

    O religioso, que só toma a água do rio, "recebeu o apoio de vários bispos, organizações de defesa dos direitos humanos e do meio ambiente. Também vem recebendo mensagens e cartas do exterior", disse Saraiva.

    As obras da transposição do rio São Francisco devem começar este ano, e custarão R$ 4,5 bilhões. O projeto prevê o desvio de 26 metros cúbicos de água por segundo do rio, cerca de 1% de seu volume, para alimentar outros canais e reservatórios do Nordeste. As obras incluem a construção de 700 quilômetros de canais, barragens e estações de bombeamento para levar água a cerca de nove milhões de pessoas. Mas várias entidades, entre elas a Igreja Católica, questionam o projeto. Elas alegam que não houve consultas suficientes à população e temem que o rio sofra degradação em seus 2,7 mil quilômetros de curso.

    Dom Cappio, assim como muitos dos que criticam o projeto, pede que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dê prioridade à recuperação do rio, afetado pela construção de represas, pelo desmatamento de suas margens e pela contaminação e pelo despejo de esgoto e dejetos industriais de centenas de cidades. Em uma carta a Lula, o religioso disse que assumia "o propósito de entregar minha vida pela vida do rio São Francisco e de seu povo contra o projeto de transposição, a favor do projeto de revitalização".

    "A greve de fome só será suspensa mediante documento assinado pelo excelentíssimo senhor presidente da República revogando e arquivando" o projeto, disse o bispo, acrescentando que jejuará "até a morte" se não receber resposta.

    O presidente, que até agora se recusou a concordar com as exigências do bispo, disse na segunda-feira estar disposto a dialogar com ele. "Se depender de minha vontade de dialogar, conversar, não medirei esforços para tentar negociar com ele, para ver se conseguimos encontrar uma solução", disse num discurso durante um congresso de metalúrgicos do ABC.

    Lula afirmou que já fez greves de fome no passado, mas contou que foi convencido pelo atual bispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, a desistir dessa forma de protesto. "Temos que encontrar uma saída" para a greve de fome do religioso, acrescentou.

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