Segundo a nota da chancelaria mexicana, os dois governos "detectaram a operação do crime organizado nas rotas do tráfico ilícito de pessoas do Brasil para o México", situação que foi discutida "amplamente" em uma reunião bilateral realizada em março passado.
Ontem, o governo mexicano anunciou sua determinação de "incorporar os cidadãos" de Brasil, Equador e África do Sul "ao programa de visto consular de longa duração, de cinco anos para turistas e três anos para empresários, com entradas e saídas múltiplas". Nesta sexta-feira, a chancelaria mexicana informou que o novo programa de vistos entrará em vigor na primeira semana de outubro.
Em resposta, o Brasil anunciou hoje que passará a pedir visto para turistas e empresários mexicanos a partir de 23 de outubro, assim como o Equador. "Sob o esquema de supressão de vistos, que vinha operando com estes países, foram registrados abusos no trânsito de pessoas, especialmente no caso de brasileiros, o que pôs em risco seus direitos humanos", acrescentou o Ministério das Relações Exteriores na nota divulgada hoje.
A medida mexicana já era previsível, depois que as autoridades de migração comunicaram há meses um grande aumento das detenções de brasileiros em situação ilegal. No primeiro semestre de 2005, o México negou a entrada no país (como turista) "a 6.450 brasileiros que tentavam ingressar com intenções distintas das que declararam", continuou o texto.
Este número representa 63% do total de rejeições registrado no país. Em contrapartida, entraram 48.046 turistas dessa nacionalidade. Em 2004, 8.758 brasileiros foram repatriados, número que duplicou amplamente em dois anos (3.835, em 2002). Além disso, 4.822 brasileiros tiveram a entrada vetada, o equivalente a 48% do total de rejeições. Em segundo lugar, ficou a Guatemala, com 646 casos, ou 6% do total.
A relação entre as duas principais potências comerciais da região corre o risco de ser abalada por causa desta medida. A decisão sobre o visto coincide com a disputa diplomática com o Brasil pela secretaria-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), e também dentro da ONU, destacam analistas.
O chanceler mexicano, Luis Ernesto Derbez, disse no começo do ano que o México continuava sendo uma passagem para os latino-americanos que tentam entrar ilegalmente nos Estados Unidos, e que seu governo deveria tomar medidas a respeito, diante da pressão dos Estados Unidos. Autoridades da área de migração calculam que, além dos mexicanos, 200 mil pessoas de outros países tentam cruzar a fronteira do norte a cada ano.
Ao chegar ao poder, o governo de Vicente Fox suspendeu unilateralmente a exigência de visto para os brasileiros. No caso do Equador, o documento não era exigido desde 1969, quando foi assinado o acordo bilateral para a sua supressão.
De acordo com fontes diplomáticas mexicanas citadas pelo jornal Reforma, o novo formato de visto para brasileiros e equatorianos será muito semelhante ao documento emitido pelos Estados Unidos, com um alto nível de segurança.
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