Esses casos são registrados pela Delegacia de Polícia do Metropolitano como importunação ofensiva ao pudor - foram 21 registros entre janeiro e agosto. No Orkut (site de relacionamentos), há comunidades que até mesmo exaltam as "encoxadas" no transporte coletivo.
O delegado Valdir de Oliveira Rosa disse ao jornal Folha de S.Paulo que "a maioria das mulheres não quer publicidade". Já os acusados alegam inocência. "Sempre dizem que encostaram porque estava lotado". Segundo Rosa, a punição pode variar de três a seis meses de detenção, mas quase sempre os responsáveis fazem acordos na Justiça para fornecer cestas básicas ou prestar serviços comunitários.
O delegado já registrou denúncia inclusive de homem contra homem no metrô. Um deles teve seu zíper da calça aberto pelo outro. As acusações contra um cego foram as mais surpreendentes. Ele foi alvo de duas queixas de mulheres, em dias diferentes, ambas dizendo terem sofrido um forte apertão nas nádegas.
Esse problema é facilitado pela superlotação porque, "quando está como uma sardinha em lata, a pessoa se sente anônima, ninguém vê nada e não tem nem como reagir", avalia Cláudio de Senna Frederico, ex-secretário dos Transportes Metropolitanos.
A linha 3-vermelha do Metrô e a linha A de trem (Francisco Morato-Brás) chegam a índices de, respectivamente, 8,2 e 7,4 passageiros por metro quadrado, segundo o jornal. O confortável é haver até quatro usuários. O nível "suportável", conforme referências internacionais, é de até seis por metro quadrado.
Pesquisa
Depois de uma seleção de temas, a pesquisa ouviu 800 usuários. Boa parte das ações do metrô tiveram avaliações positivas, mas não as de prevenção ao assédio sexual - 21% reclamavam que nada era feito, padrão de serviço considerado inaceitável, e 45%, que só havia alguma atitude da companhia quando a vítima informava um empregado, nível considerado inadequado, totalizando 66% de muito ruim e ruim.
Para 82% dos passageiros, deveria haver vigilância constante do metrô e orientação contra esse problema. Ações que só 23% acreditavam que eram feitas.
A taxa de insatisfação só ficou mais baixa, entre os principais itens, do que a das filas nas bilheterias (74% de muito ruim e ruim) e a da lotação nos vagões (70%). O trabalho inédito de Vera Lúcia Massa, analista de pesquisas do Metrô, foi apresentado no 15º Congresso Brasileiro de Trânsito e Transportes, realizado no mês passado em Goiânia.
Redação Terra