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Valério é recebido em Lisboa como assessor de Lula

03 de agosto de 2005 21h52 atualizado em 04 de agosto de 2005 às 08h52

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza se apresentou ao governo português como consultor do presidente Lula, segundo declaração do ex-ministro de Obras Públicas, Transportes e Comunicações António Mexia, publicada no mês passado pelo semanário Expresso, de Lisboa. Mexia disse que recebeu Valério "na qualidade de consultor do presidente do Brasil e a pedido de Miguel Horta e Costa, presidente da PT (Portugal Telecom)". Em comunicado nesta quarta-feira, o Planalto negou que tenha autorizado Marcos Valério a representar o presidente Lula em Portugal.

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O encontro aconteceu no final de outubro do ano passado, segundo informação obtida pela Folha de S.Paulo.

Em nota divulgada ontem, a Portugal Telecom admitiu ter tido "contatos" com Marcos Valério, mas não esclareceu quantos, quando nem que tipo de contatos manteve com ele. Em declaração à parte da nota oficial, informou que o empresário só esteve uma vez em sua sede, em Lisboa, no final de outubro.

O banqueiro português Ricardo Espírito Santo, do Banco Espírito Santo, um dos principais acionistas da Portugal Telecom, confirmou nesta quarta-feira ter se reunido com o ex-ministro da Casa Civil e deputado federal José Dirceu (PT-SP) no Palácio do Planalto, em 11 de janeiro de 2005. De acordo com Espírito Santo, foi o empresário Marcos Valério, responsável por empréstimos milionários ao PT, quem negociou a realização da audiência. Segundo o banqueiro, Valério, inclusive, participou do encontro.

As informações desmentem o petista, que negou veementemente, durante depoimento ao Conselho de Ética da Câmara, na última terça-feira, ter participado de qualquer negociação com a empresa lusitana. Também contraria a versão dada de que sua relação com Marcos Valério era apenas "social" e restrita a "uns dois encontros" na Casa Civil, junto com diretores do Banco Rural.

"Quero negar que autorizei ou tive qualquer relação com a Portugal Telecom", disse José Dirceu.

Dirceu confirmou ao jornal O Globo ter recebido o banqueiro na companhia de Valério, mas negou que o empresário brasileiro tivesse marcado a reunião. Se limitou a dizer que o sócio das agências de publicidade DNA e SMP&B "estava prestando serviços" para o banco português. Segundo ele, o Espírito Santo foi comunicar interesses em novos investimentos.

A audiência está registrada na agenda oficial do ex-ministro, e ocorreu 13 dias antes de viagem de Valério a Lisboa, junto com o tesoureiro do PTB, Emerson Palmieri, a fim de se reunir com diretores da Portugal Telecom. Valério afirmou que a "missão" teve como objetivo tratar da conta de publicidade da Telemig, que na época era negociada com a empresa de telefonia européia. Ele disse ainda que Palmieri tinha embarcado apenas para "passear", na qualidade de seu "amigo". Na agenda de Dirceu também está marcada uma viagem do ex-ministro a Portugal no dia 7 de junho, no qual o petista participou de um jantar com Miguel Horta e Costa, presidente da Portugal Telecom.

Durante o depoimento de José Dirceu, o parlamentar Roberto Jefferson (PTB-RJ) afirmou que o petista intermediou, com aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma viagem de emissários do PTB e do PT com dirigentes da Portugal Telecom, supostamente para negociar liberação de recursos aos partidos em troca de facilidades para a empresa em seus negócios no País. A versão foi negada por Valério, Dirceu e o Palácio do Planalto, por meio de comunicado.

Jefferson também disse, em fala à CPI dos Correios, que Valério pressionou o Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) a transferir reservas para o Espírito Santo, em valores que chegariam a R$ 600 milhões. Em troca, PT e PTB dividiriam uma "comissão".

Ricardo Espírito Santo confirmou a audiência, mas negou que tenha efetuado negócios com Valério ou com o governo. De acordo com o banqueiro, o encontro no Planalto foi uma "reunião de apresentação", de caráter estritamente "social". Valério nega ter participado da referida reunião.

A relação nebulosa de Valério com o governo federal já tinha ganho mais um ingrediente nesta quarta-feira, após a divulgação de reportagem do jornal português Expresso, do dia 16 de julho, afirmando que o publicitário se encontrou com o ex-ministro de Portugal António Mexia na qualidade de "assessor do presidente Lula". Valério negou que tenha representado o presidente Lula em qualquer momento, mas confirmou a visita.

Em nota, o governo federal afirmou que o presidente Lula esteve duas vezes com representantes da Portugal Telecom - versão confirmada pelos deputados e ex-ministros das Comunicações Eunício Oliveira (PMDB-CE) e Miro Teixeira (PT-RJ) -, mas garantiu que as reuniões trataram somente de novos investimentos no Brasil.

A Portugal Telecom divulgou, também nesta quarta-feira, uma segunda nota confirmando que teve contato com Valério, mas negando que os encontros tenham sido para discutir ou negociar operações de financiamento de partidos políticos brasileiros.

Redação Terra