"O resultado sem dúvida surpreendeu. Mas precisa de uma análise mais profunda", disse o professor do Instituto Brasileiro de Economia, Ricardo Wyllie, um dos coordenadores da pesquisa.
O levantamento em nove regiões metropolitanas com base na Pesquisa sobre Orçamento Familiar do IBGE em 2003 mostra que, ao contrário do que as estatísticas oficiais e o noticiário policial sugerem, a violência nas duas cidades mais populosas do país não incomoda tantos moradores dessas localidades.
Somente os habitantes de Brasília e de Salvador têm uma percepção melhor sobre a questão da violência do que no Rio e em São Paulo. A criminalidade incomoda muito mais, segundo a pesquisa, os habitante de regiões metropolitanas como Belém, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre e Goiânia.
O levantamento expõe ainda que a percepção de violência é mais homogênea no Rio e é comum a todas as faixas de renda. Em São Paulo, a criminalidade é mais percebida pela classe média, com renda até R$ 7.481 reais. Embora o estudo não aponte conclusões para a boa posição de paulistas e fluminenses em relação à percepção da violência, Wyllie avalia que os maciços investimentos em segurança nessas metrópoles podem transmitir uma melhor percepção sobre a criminalidade.
"No Rio e em São Paulo, você tem a violência localizada, concentrada em alguns pontos. As pessoas chegam a dizer que a violência é generalizada e, de certa forma, isso não é mentira. Mas os fatos mais importantes, aqueles que vão para a mídia, acontecem em outros lugares", afirmou o professor.
Índice de condição de vida
De acordo com a pesquisa, em Brasília há a melhor qualidade de vida entre as 11 regiões pesquisadas. A região metropolitana de São Paulo, aparece na sexta posição no ranking de qualidade de vida e o Rio, em 8º lugar.
O Índice de Condição de Vida foi calculado com base em 12 quesitos que incluem, além dos aspectos de segurança, variáveis como condição de moradia, serviços públicos e consumo de alimentos.
"Quanto pior as condições de vida, pior é a produtividade da mão de obra e isso afeta a atração de investimentos e de capital para aquela região e acaba tendo problema de crescimento econômico e de empregos nessas localidades", afirmou o professor Fernando Blumenschein.

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