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 Fraudadores do INSS citam "caixinha" de Delúbio
22 de julho de 2005 07h01 atualizado em 23 de julho de 2005 às 13h00

Investigados por suposto envolvimento com o "mensalão" e prática de caixa dois na CPI dos Correios, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-ministro petista José Dirceu e o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) tiveram seus nomes citados em uma conversa entre integrantes da quadrilha do argentino César de la Cruz Arrieta, apontado como um dos maiores fraudadores do INSS no País. No diálogo, reproduzido em relatório reservado do Ministério Público Federal, os criminosos conversam sobre a formação de uma "caixinha" para comprar apoio de parlamentares no Congresso e mencionam os três, bem como falam de outros políticos. O Banco Rural, onde o publicitário Marcos Valério mantém várias contas das quais milhões foram sacados nos dois últimos anos - e que seriam pontos de distribuição da "mesada" - também aparece nos diálogos.

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    As conversas transcritas foram gravadas mediante autorização judicial em janeiro deste ano - seis meses antes de surgirem as primeiras denúncias de suposto pagamento do "mensalão" pelo governo federal a parlamentares em troca de apoio político no Congresso. O documento será entregue à Procuradoria-Geral da República e à CPI dos Correios nos próximos dias.

    Demonstrando muita intimidade com os bastidores políticos do Brasil, os integrantes do grupo de Arrieta chegam a falar até dos R$ 10 milhões que o PT teria se comprometido a arrecadar para financiar campanha do PTB, integrante da base aliada.

    A parte mais comprometedora dos diálogos é travada entre Márcio Pavan, braço-direito de Arrieta, e duas pessoas identificadas como Marcelo e Denis. No diálogo, Pavan pergunta sobre determinada conta, ao que seu interlocutor responde, em linguagem cifrada, que se trata de conta do Rural da Câmara dos Deputados, do "001", o qual teria de levantar R$ 10 milhões para "fechar com o trabalhista". O colega de Pavan diz ainda que o 001 teria mandado R$ 50 mil "de um outro negócio que estão conduzindo pra gente".

    Pavan pergunta, em determinado ponto da conversa, se o pedido de dinheiro teria partido do "Zé". O outro integrante da quadrilha de Arrieta afirma que não, a solicitação era "do próprio, o tesoureiro", em suposta menção a Delúbio - e dando a entender que o "001" seria o ex-dirigente petista. Também é mencionado um pedido de um "cliente" interessado em financiamento do BNDES, que demandaria um desembolso de R$ 70 mil para liberar R$ 10 milhões.

    Os criminosos também mencionam uma manobra para abrir uma vaga na Câmara de Goiânia para um irmão de Delúbio, suplente de vereador. Em outra conversa, um suposto pedido de "caixinha" feito pelo ex-tesoureiro, no valor de R$ 70 mil, é mencionado. Na mesma conversa, ele é citado como o "homem forte" e que estaria precisando de "troco", pois estaria caixa para o PTB a fim de "ganhar a eleição na Câmara". No mesmo diálogo, Pavan diz que o dinheiro sairia depois do "milagre do BVA", mencionando um banco.

    José Dirceu é citado em outra gravação, na qual Márcio Pavan se refere a uma reunião que teria com o ex-chefe da Casa Civil, na qual levaria "um pergaminho de coisas" se tivesse "abertura". Outra gravação, efetuada em fevereiro, cita "o cara", que estaria precisando de R$ 50 mil para apoiar Virgílio (Virgílio Guimarães, candidato avulso do PT, derrotado nas eleições que elegeram Severino Cavalcanti) para a presidência da Câmara dos Deputados.

    As gravações de deram durante as investigações do Ministério Público Federal sobre supostas fraudes conduzidas pelo grupo de Arrieta junto à Receita Federal. As apurações desencadearam a Operação Tango da Polícia Federal na qual Arrieta, Pavan e os demais integrantes da quadrilha foram presos - e ainda permanecem detidos. Segundo os responsáveis pela operação, Arrieta e seus colegas tinham formado uma base no Rio Grande do Sul, onde foram flagrados, para vender títulos podres do Tesouro Nacional, voltados a empresas interessadas em quitar irregularmente seus débitos com o Fisco. Uma delas foi o Banco BVA, o qual adquiriu cerca de R$ 5 milhões nesses títulos.

  • Redação Terra