Beira-Mar é transferido para Brasília

22 de julho de 2005 • 06h29 • atualizado às 16h08
Fernandinho Beira-Mar chegou de helicóptero à carceragem da PF em Brasília Foto: Reuters
Fernandinho Beira-Mar chegou de helicóptero à carceragem da PF em Brasília
22 de julho de 2005
Foto: Reuters

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido hoje, por volta das 11h45, do presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, para a carceragem da Polícia Federal em Brasília, informou a assessoria de imprensa da Superintendência Regional do DF.

Segundo a assessoria, a transferência é em caráter provisório, enquanto o governo decide o destino do traficante, que deve ir para outro presídio de segurança máxima.

Nesta sexta-feira, venceu o prazo dado pela Justiça para que Beira-Mar deixasse a prisão de Presidente Bernardes, onde estava detido desde 2003.

O Ministério da Justiça não descarta a hipótese de transferir o traficante, no fim do ano, para um dos presídios federais de segurança máxima. Dois deles serão inaugurados em dezembro, um em Catanduvas (PR) e outro em Campo Grande (MS). Em 2006, outros três serão concluídos.

Para autorizar a operação prevista para hoje, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, exigiu que os nomes dos integrantes da equipe da PF sejam fornecidos pelo ministério ao presídio com antecedência, a fim de evitar a possibilidade de um resgate por falsos agentes.

São Paulo
Beira-Mar chegou a São Paulo em 2003 e sua permanência, que devia ser temporária, transformou-se numa novela. Este mês, pela segunda vez, a Vara das Execuções Criminais de São Paulo determinou sua retirada da penitenciária de Presidente Bernardes, onde os detentos são submetidos ao regime disciplinar diferenciado (RDD).

O motivo da decisão é que se esgotou o prazo legal para manter Beira-Mar no presídio. Segundo a lei do RDD, os presos só podem ficar até 360 dias cumprindo pena nesse regime, que limita banhos de sol, contatos com outros detentos e o número de visitantes, além de vedar visitas íntimas e o acesso à TV e rádio. O prazo só pode ser renovado se houver falta grave.

De tão rígido, o RDD fez Beira-Mar ser flagrado por agentes prisionais falando com mariposas. O traficante é mantido sem contato com outros presos. Ele toma banho de sol quatro horas por semana. Sua cela é aberta, mas antes de sair ele tem de se despir para ser revistado. Vai, então, para o pátio escoltado por agentes com cães pitbull e rottweiler.

Beira-Mar está em Bernardes porque Alckmin fez um favor ao governo federal e recebeu o traficante, cabeça de uma rebelião que destruiu o presídio de Bangu 1, no Rio de janeiro, em 2002. Recentemente, o governo fluminense conseguiu liminar para impedir a volta do bandido.

O problema é que Beira-Mar usou a longa estadia em São Paulo para estreitar os laços de sua facção, o Comando Vermelho, com o Primeiro Comando da Capital (PCC). É que no presídio de Bernardes está detida boa parte da cúpula do PCC. A aproximação entre os grupos ficou demonstrada nas investigações sobre o narcotráfico na Baixada Santista, que levaram à prisão Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, o Naldinho.

Redação Terra
 
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