Outra descoberta que surpreendeu os parlamentares da comissão foi uma conta bancária da SMP&B no Banco de Brasília (BRB). Pela mesma passaram R$ 92 milhões desde 2003, e suspeita-se que também teria servido para pagar políticos e lavar dinheiro.
A suspeita é reforçada não só pelo montante movimentado no período de dois anos, mas pelo pouco tempo de permanência do dinheiro no banco. Os recursos foram sempre mantidos na conta corrente - e não encaminhados para fundos de investimento, como normalmente ocorre em transações envolvendo altas somas. A maior parcela do dinheiro saiu da agência por meio de movimentações eletrônicas. O flagrante da conta no BRB deve elevar para mais de R$ 30 milhões o montante de saques nas contas da SMP&B e DNA entre 2003 e 2004.
Agência de Mendonça confirma depósito
Em nota, a agência Comunicação e Estratégia Política (CEP), de Mendonça e Zilmar, confirmou ter recebido R$ 500 mil provenientes de agência do Rural na Avenida Paulista e declarou que o montante corresponde a pagamento do PT por "prestação de serviço". A CEP garante ainda que o dinheiro consta de sua contabilidade.
A CPI também investiga saque em nome do o economista Rodrigo Barroso Fernandes, ex-tesoureiro de campanha do prefeito de Belo Horizonte (MG), Fernando Pimentel (PT), no valor de R$ 274.167,36, efetuado em 12 de agosto de 2004. Por conta dessa denúncia, Barroso pediu afastamento da presidência da Fundação Municipal de Cultura - até o esclarecimento do caso - e negou ter sido o responsável pela retirada. Seus assessores insistem que a assinatura do petista no verso do cheque em poder da CPI não é verdadeira.
"Estarei tomando as providências jurídicas cabíveis para apurar se a inclusão do meu nome nessa lista é produto de equívoco ou má-fé", disse o economista em nota distribuída à imprensa nesta quarta-feira.
Constam ainda da relação nomes de parentes ou assessores de parlamentares como o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha (PT), cuja mulher, Márcia Regina Cunha, sacou R$ 50 mil das contas da SMPB apenas um dia após o petista ter se reunido com Valério em sua residência oficial - o empresário mais tarde assumiria campanha publicitária da Câmara.
Pessoas ligadas a José Janene (PP-PR) e Paulo Rocha (PT-PA) também retiraram dinheiro do Rural e estão sob suspeita. João Paulo tentou desmentir os saques inicialmente, mas recuou em seguida quando surgiram as provas das movimentações - deixando-os em situação desconfortável.
O deputado Paulo Delgado, incluído inicialmente nos saques, afirmou que desconhecia o caso e afastou o assessor Raimundo Ferreira da Silva, que constava na lista de sacadores do Banco Rural, em Brasília. Silva ocupava o cargo de vice-presidente do diretório do PT em Brasília. O assessor afastado divulgou nota ontem sobre o assunto. (Leia a íntegra da nota aqui)
Também aparece da listagem Cantídio Cotta de Figueiredo, do PTB do deputado Roberto Jefferson (RJ), responsável pelas denúncias do "mensalão" - suposto pagamento em dinheiro pelo governo federal a parlamentares em troca de fidelidade política. Ex-secretário de Saúde de Coronel Fabriciano (MG) e ex-coordenador de campanha do pefelista Paulo Antunes à prefeitura da cidade, Figueiredo sacou R$ 68 mil da conta da SMPB no Rural em agosto do ano passado.
Ele, porém, nega conhecer Marcos Valério, Jefferson e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que admitiu publicamente ter solicitado que Valério fizesse empréstimos bancários a fim de financias campanhas do PT e de partidos aliados - não declarados à Justiça Eleitoral, confirmando a prática de "caixa dois".
Dois importantes membros da base aliada do Planalto também aparecem na relação apurada pela CPI dos Correios, relacionados a saques de vultosas quantias de dinheiro. São eles João Cláudio de Carvalho Genu - chefe de gabinete do líder do PP na Câmara, José Janene (PR), responsável pela retirada de R$ 1,15 milhão; e Jacinto Souza Lamas, ex-tesoureiro do PL, o qual efetuou saque de R$ 1,35 milhão.
Depoimento de Valério é adiado
O segundo depoimento de Marcos Valério à CPI dos Correios, inicialmente marcado para esta quinta-feira, foi adiado para que os parlamentares tenham mais tempo para analisar a documentação que não pára de chegar, informou na quarta-feira o presidente da comissão, Delcídio Amaral (PT-MS).
- Redação Terra


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