Entidades lançam movimento contra "excessos" da PF

18 de julho de 2005 • 15h36 • atualizado às 16h53

Entidades trabalhistas, comerciais, industriais e de advogados lançaram hoje o Movimento pela Legalidade, contra o arbítrio e a corrupção, em uma crítica aos excessos cometidos nas inúmeras denúncias de corrupção envolvendo autoridades brasileiras e nas operações da Polícia Federal.

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    A reunião que levou ao manifesto foi realizada na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e contou com a participação de cerca de 80 representantes de entidades como OAB-SP, Fecomercio-SP, Bovespa, BM&F, Força Sindical, Funcex, ACSP, além de sindicatos de setores da indústria.

    A reunião foi convocada na última quinta-feira, um dia após a prisão da presidente e uma das sócias da Daslu, Eliana Tranchesi, mas os signatários do documento fizeram questão de ressaltar que ele não se deve a um caso específico.

    Luiz Flávio Borges D'Urso, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo, disse que as "mega-operações recentemente realizadas pela PF são superiores a qualquer reação que a pessoa envolvida possa ter".

    Os signatários citaram o uso de algemas nessas operações como um ferimento à dignidade da pessoa humana. "Só se justifica uma prisão preventiva se ela for indispensável para realizar a prova", acrescentou ele. Além do caso Daslu, foram citadas na entrevista para apresentar o movimento as recentes invasões de escritórios de advocacia pela PF em busca de documentos de clientes e foi criticado o aviso prévio à imprensa para acompanhar tais operações.

    João Antonio Garreta Prats, presidente da Associação Paulista do Ministério Público, ressaltou que o movimento não coloca em dúvida a legalidade das ações, e sim a forma como são feitas.

    Os participantes do movimento disseram que irão acompanhar as operações da PF, inclusive, se necessário, por meios judiciais.

    Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, disse que as últimas mega-operações da PF foram realizadas para "encobrir o que a quadrilha do PT fez na República", referindo-se à atual crise política e à "falta de crescimento econômico."

    A manifestação da Fiesp acontece após uma série de operações da PF nas últimas semanas que envolveram a loja de artigos de luxo Daslu, a empresa Schincariol e escritórios de advocacia. A empresária Eliana Tranchesi, da Daslu, foi detida por mais de dez horas na quarta-feira passada, após uma operação conjunta da PF, do Ministério Público e da Receita Federal, que investigava suspeitas de sonegação fiscal, entre outros crimes. O irmão dela, Antônio Carlos Piva de Albuquerque, e o contador Celso de Lima, da empresa Multi Importe, ficaram presos por cinco dias e foram soltos nesta segunda-feira, enquanto o inquérito prossegue em sigilo.

    Em junho, membros da família Schincariol foram detidos pela Polícia Federal durante a "Operação Cevada", sob acusação de, entre outras coisas, sonegação de impostos no valor de 1 bilhão de reais. Eles ficaram presos por 10 dias.

    No mesmo mês, a PF fez uma busca em vários escritórios de advocacia, prendendo também alguns executivos. A operação, chamada de "Monte Éden", investigou pessoas e escritórios ligados a um esquema de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação fiscal.

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