Apesar de crise, avaliação de Lula permanece estável

12 de julho de 2005 • 11h52 • atualizado às 15h54

Os efeitos da crise política sobre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecem ainda não ter chegado à opinião pública. A avaliação positiva do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva permaneceu estável em julho, com uma ligeira elevação, variando para 40,3% ante 39,8% em maio, mostrou hoje a pesquisa do Instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A variação está dentro da margem de erro da pesquisa, que é de 3 pontos percentuais para cima ou para baixo.

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    "A crise política não está afetando muito o governo do presidente Lula (...) Pode-se concluir que o presidente Lula está ileso", disse Clésio Andrade, vice-governador de Minas Gerais e presidente da Confederação Nacional dos Transportes. "Nós também ficamos surpresos", acrescentou Andrade, em um momento em que o governo Lula enfrenta sua mais grave crise decorrente de seguidas denúncias de corrupção.

    O desempenho pessoal do presidente também ficou estável, com uma ligeira oscilação para cima, indo de 57,4% para 59,9%, apesar das recentes denúncias de corrupção que atingiram o governo.

    No quarto levantamento do ano sobre o governo, a avaliação negativa passou de 18,8% para 20%, enquanto a regular variou de 38,3% para 37,1% neste mês.

    Corrupção
    A sondagem levantou a vinculação que a população faz com relação às denúncias de corrupção. A Câmara dos Deputados aparece em primeiro lugar, com 35,4%, seguida pelo PT, com 31,2% e pelo presidente Lula, bem abaixo, com 12%.

    "Na realidade, a culpa da corrupção cai em cima dos parlamentares e mostra o PT se tornando um partido igual aos outros. Isso explica a blindagem do presidente Lula e porque ele está mais descolado da questão", explicou Andrade.

    Quando perguntados se a corrupção no País aumentou ou diminuiu durante o governo Lula, 41,8% responderam que ficou como sempre esteve (ante 45,4% em maio). No entanto, houve uma piora significativa entre os que acham que ela aumentou muito, na comparação com a sondagem de maio, passando de 13,0 por cento para 20,2%. Entre os que acham que ela aumentou um pouco, a taxa passou de 18,2% para 20,1%. O Instituto Sensus entrevistou duas mil pessoas entre os dias 5 e 7 de julho, em 195 municípios do País.

    Correios e ¿mensalão¿
    A sondagem também revelou que 38,1% dos entrevistados disseram acompanhar os desdobramentos das denúncias de corrupção e as notícias sobre a CPI dos Correios. Outros 39% apenas disseram que "ouviram falar" sobre o tema. Do total, a maior parte (48,%) acha que a CPI "não vai apurar as denúncias de corrupção adequadamente", ante 43,3% que acham o contrário.

    Sobre as denúncias de suposto esquema de pagamento de mesada pelo PT a parlamentares aliados, conhecido como "mensalão", 76% das pessoas consultadas disseram acompanhar ou ter ouvido falar no assunto. Para 67,1% daqueles que sabem das denúncias, o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), autor das acusações, fala a verdade, contra 18,1 que disseram não ser verdadeiras.

    Saber ou não saber
    Seguindo o comportamento de deixar o presidente afastado da crise, 45,7% do eleitorado brasileiro, de acordo com a sondagem, acham que Lula não tinha conhecimento do suposto esquema de "mensalão," contra 33,6% que disseram o contrário.

    A maioria dos consultados também considera que Lula tem reagido adequadamente às denúncias e que a prática de pagar parlamentares em troca de voto não é exclusividade desse governo.

    Na sondagem, 64,7 % dos entrevistados afirmaram que o "mensalão" é prática antiga, contra 18,3% que disseram ser hábito recente. "As pessoas sabem que isso sempre aconteceu, mas faz com que a posição dos partidos (diante da opinião pública) piore", observou Clésio Andrade.

    A pesquisa CNT e Instituto Sensus perguntou ainda em que candidato o eleitor nao votaria em hipotese alguma para presidente. Fernando Henrique recebeu 58,1% dos votos, Anthony Garotinho, 57,9% e César Maia 55,4%.

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