Fernanda Karina depõe na CPI dos Correios |
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Valério contou que os saques de grandes quantias eram um procedimento rotineiro na empresa SMP&B, e que o dinheiro era usado para pagamento de fornecedores e cachês. As quantias seriam utilizadas no esquema do "mensalão", segundo denúncia do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).
Fernanda disse desconhecer a origem do dinheiro que chegava e era repartido em valises na empresa. Após desmentir Valério, ela negou que tenha tentado extorquir dinheiro dele e argumentou que todas as suas denúncias estão sendo confirmados pelas investigações.
Em um depoimento sem novidades e com baixo quórum, Fernanda Karina reafirmou o que disse anteriormente: a relação entre Marcos Valério com políticos de Brasília e os saques milionários feitos na boca do caixa. A ex-secretária manteve a afirmação da relação próxima entre Valério e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.
A ex-secretária contou de novo a história de uma suposta festa para comemorar a vitória em uma licitação, que estaria organizada um dia antes do resultado oficial ser divulgado. Ela também negou ter recebido qualquer tipo de remuneração da Revista IstoÉ Dinheiro ou do jornalista Leonardo Attuch para conceder a entrevista na qual relatou os contatos de Valério com dirigentes do PT e deu informações sobre a movimentação financeira do publicitário. "Eu já estava empregada quando concedi a entrevista", afirmou.
A ex-funcionária contou aos parlamentares que foi ameaçada na rua por um motoqueiro. Segundo ela, essa pessoa disse para que ficasse calada, do contrário sua filha e seu marido sofreriam conseqüências. Por essa razão, esclareceu Fernanda, no seu primeiro depoimento à Polícia Federal, ela negou tudo que havia denunciado antes em entrevista à imprensa.
"Há 20 dias as pessoas começaram a me perguntar sobre a minha agenda. Não sabia que ela era tão importante. Então eu resolvi entregar ela na Polícia Federal", diz Fernanda. A secretária confirmou que Valério retirava grandes quantias de dinheiro, que seriam carregados por motoboys. "Havia sempre cheques em valor alto para serem assinados".
Fernanda contou que tem medo de Valério. "É a maneira dele trabalhar. Ele faz questão que as pessoas tenham medo dele".
O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), considera o depoimento da ex-secretária Fernanda Karina coerente e lógico. Para Serraglio, ela transmite mais credibilidade que seu ex-chefe na empresa SMP&B, Marcos Valério, que depôs ontem à CPMI.
O relator acredita que será inevitável uma acareação entre os dois. Sua preocupação é quanto à possibilidade de Marcos Valério valer-se do habeas-corpus que obteve para manter sua versão dos fatos sem cair em contradições. Como Marcos Valério obteve hábeas-corpus para depor na CPMI, ele teve o direito de não responder as perguntas que pudessem incriminá-lo.
Redação Terra