O empresário afirmou que cobrou da cúpula do PT a parcela que pagou pelo negócio, no valor de R$ 300 mil. "Já cobrei e me disseram para eu ter paciência porque estavam sem dinheiro", disse. "Eu sou um homem paciente". Durante o depoimento, que durou mais de 12 horas, Valério manteve-se calmo e negou ter conhecimento do "mensalão". Ele colocou suas empresas à disposição para a realização de uma auditoria. Disse ainda que a origem dos saques milionários feitos por ele não foi de contas públicas.
O empresário reconheceu diante dos parlamentares que deixará de ser publicitário após o escândalo do qual é protagonista. "Minha carreira como publicitário e como empresário acabou", afirmou. Sobre o direito de não responder a todas as perguntas conquistado por meio de um habeas corpus, Valério foi categórico: "A República não vai cair por minha causa".
Ele negou que tenha entregado malas de dinheiro a aliados do governo e afirmou que Jefferson mentiu. Valério disse que as afirmações feitas pelo deputado José Borba (PMDB) também são invenções. "Tratei de assunto políticos, não tratei de cargos", declarou. "Daqui a pouco sou ministro sem pasta".
Valério disse ao senador César Borges (PFL-BA) que se encontrou duas vezes, apenas, com o deputado Jefferson - uma para tratar de política e outra "por acaso" em um restaurante. O empresário garantiu ser "mentira" de Jefferson a declaração do deputado de que teria recebido R$ 4 milhões de Valério. O publicitário também disse serem mentirosas as denúncias de envolvimento em corrupção no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
O publicitário disse que foi "coincidência" os altos saques realizados por ele na véspera de viagens para Brasília e de votações importantes no Congresso Nacional. Ele não disse qual o destino das quantias milianárias. Valério admitiu que prestou serviços eleitorais de graça para políticos e candidatos, mas negou supostos benefícios em licitações decorrentes destes trabalhos.
Redação Terra