Valério admite empréstimo para PT e nega mensalão

06 de julho de 2005 • 21h10 • atualizado às 22h06

O publicitário Marcos Valério, acusado de ser um dos operadores do "mensalão" pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), reconheceu nesta quarta-feira, durante um longo depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, ter sido avalista de um empréstimo feito pelo PT no valor total de R$ 2,4 milhões. Ele afirmou ter feito a operação no banco BMG em nome da amizade que mantém com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Valério negou ter relação íntima com a cúpula do PT e disse que não foi beneficiado em licitações devido à operação financeira.

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    O empresário afirmou que cobrou da cúpula do PT a parcela que pagou pelo negócio, no valor de R$ 300 mil. "Já cobrei e me disseram para eu ter paciência porque estavam sem dinheiro", disse. "Eu sou um homem paciente". Durante o depoimento, que durou mais de 12 horas, Valério manteve-se calmo e negou ter conhecimento do "mensalão". Ele colocou suas empresas à disposição para a realização de uma auditoria. Disse ainda que a origem dos saques milionários feitos por ele não foi de contas públicas.

    O empresário reconheceu diante dos parlamentares que deixará de ser publicitário após o escândalo do qual é protagonista. "Minha carreira como publicitário e como empresário acabou", afirmou. Sobre o direito de não responder a todas as perguntas conquistado por meio de um habeas corpus, Valério foi categórico: "A República não vai cair por minha causa".

    Ele negou que tenha entregado malas de dinheiro a aliados do governo e afirmou que Jefferson mentiu. Valério disse que as afirmações feitas pelo deputado José Borba (PMDB) também são invenções. "Tratei de assunto políticos, não tratei de cargos", declarou. "Daqui a pouco sou ministro sem pasta".

    Valério disse ao senador César Borges (PFL-BA) que se encontrou duas vezes, apenas, com o deputado Jefferson - uma para tratar de política e outra "por acaso" em um restaurante. O empresário garantiu ser "mentira" de Jefferson a declaração do deputado de que teria recebido R$ 4 milhões de Valério. O publicitário também disse serem mentirosas as denúncias de envolvimento em corrupção no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).

    O publicitário disse que foi "coincidência" os altos saques realizados por ele na véspera de viagens para Brasília e de votações importantes no Congresso Nacional. Ele não disse qual o destino das quantias milianárias. Valério admitiu que prestou serviços eleitorais de graça para políticos e candidatos, mas negou supostos benefícios em licitações decorrentes destes trabalhos.

  • Redação Terra
     
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