Jefferson: PT desviava R$ 3 mi por mês em Furnas

30 de junho de 2005 • 04h56 • atualizado em 27 de julho de 2005 às 12h20

Dois dias antes de depor à CPI dos Correios para esclarecer denúncias de seu envolvimento em cobrança de propina na estatal e falar sobre o suposto "mensalão" do governo federal para aliciar parlamentares, o deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) fez novas acusações ao PT na última terça-feira. De acordo com Jefferson, o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva operava esquema de desvio de dinheiro a partir da estatal Furnas Centrais Elétricas que chegava a R$ 3 milhões por mês.

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    Falando ao jornal Folha de S.Paulo, o presidente nacional licenciado do PTB disse que a alegada irregularidade lhe foi confidenciada pelo diretor de Engenharia da empresa, Dimas Toledo, o qual não chegou a confirmar a versão à Folha, pois não foi localizado. Segundo Jefferson, "sobram R$ 3 milhões por mês em Furnas", dos quais R$ 1 milhão vai para o PT nacional, por meio do tesoureiro Delúbio Soares. Outro R$ 1 milhão seria enviado para a sede mineira da sigla, com o intermédio do diretor de Administração do PT-MG e ex-dirigente da CUT de Minas Gerais, Rodrigo Botelho Campos.

    Roberto Jefferson afirmou ainda que o dinheiro restante era repartido entre a diretoria de Furnas (R$ 500 mil) e "um pequeno grupo de deputados", ao qual caberiam outros R$ 500 mil. Segundo Jefferson, esse grupo era composto por parlamentares que trocaram o PSDB por legendas da base aliada no início da gestão Lula. Entre eles estariam Luiz Piauhylino (PE), que passou pelo PTB e depois migrou para o PDT, Salvador Zimbaldi (PTB-SP) e Osmânio Pereira (PTB-MG).

    O petebista declarou que esses parlamentares teriam barganhado a nomeação do diretor financeiro de Furnas, José Roberto Cesaroni Cury, egresso da Unicamp , universidade localizada em Campinas (SP), reduto eleitoral de Zimbaldi.

    Segundo Jefferson, Dimas Toledo fez as revelações no apartamento funcional do deputado, em Brasília, no última dia 13 de abril. O encontro, disse o petebista, seria para convencer Roberto Jefferson a desistir da Diretoria de Engenharia da Estatal - cargo que Lula teria decidido entregar ao PTB. O deputado diz que já vinha sofrendo pressões contra a saída de Dimas e atribui ao ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, a informação de que Aécio Neves, Itamar Franco, Severino Cavalcanti e grandes empreiteiras seriam favoráveis à manutenção de Toledo no cargo.

    Jefferson garantiu ter reproduzido toda a conversa para Dirceu, o qual também seria contrário à nomeação de Francisco Pirandel, indicado pelo PTB para a vaga de Toledo. Ainda de acordo com o petebista, José Dirceu propôs um "acerto direto entre PT e PTB" para garantir Dimas Toledo em Furnas. Jefferson disse ter aceito a oferta.

    O deputado afirmou que o presidente Lula tomou conhecimento das pressões durante encontro no dia 26 de abril, do qual também teriam participado o ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB), e Dirceu. Naquela oportunidade, Lula teria garantido a substituição de Dimas pelo nome indicado pelo PTB.

    Cerca de duas semanas mais tarde, saiu reportagem da revista Veja citando a gravação na qual Jefferson é acusado de comandar esquema de corrupção nos Correios. Em conseqüência disso, a substituição em Furnas foi suspensa, e Toledo até hoje ocupa a Diretoria de Engenharia.

    As denúncias envolvendo Furnas devem ilustrar o discurso de Jefferson nesta quinta-feira na CPI dos Correios, durante o qual o parlamentar pretende defender que o PT comanda os postos mais lucrativos nas estatais, Dirceu é o maior responsável pelas irregularidades no governo e Lula não teria conhecimento das supostas ações de corrupção na administração federal.

  • Redação Terra
     
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