Sob vaias e aplausos, Dirceu volta à Câmara

22 de junho de 2005 • 15h33 • atualizado em 23 de junho de 2005 às 07h49
José Dirceu durante discurso de posse na tribuna da Câmara Federal Foto: Divulgação
José Dirceu durante discurso de posse na tribuna da Câmara Federal
22 de junho de 2005
Foto: Divulgação

O primeiro discurso do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no retorno à Câmara dos Deputados ocorrido na tarde desta quarta-feira foi marcado por vaias, aplausos e até tentativa de agressão entre os deputados presentes na sessão. Dirceu revelou o desejo de um dia se tornar governador de São Paulo: "quem sabe um dia eu volte lá para o meu Estado para assumir já que fui derrotado nas urnas uma vez", afirmou.

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    Durante o discurso, Dirceu reafirmou que não teve envolvimento nas denúncias de corrupção no governo: "não tenho nada a esconder, mesmo quando lutei com armas nas mãos e na clandestinidade. "Volto para ir ao Conselho de Ética da Câmara, à Corregedoria, para prestar todos os esclarecimentos necessários", afirmou na tribuna.

    Dirceu reforçou que trabalhará pelo esclarecimento das denúncias de corrupção no governo. "Serei mais um deputado da base do governo do presidente Lula. Volto para servir ao meu partido, a maioria desta casa e do governo e para servir à Câmara. Volto com os olhos no parlamento e na casa dos deputados, volto com o sentimento que temos que dar uma resposta ao País", declarou.

    O ex-ministro também defendeu a política de alianças partidárias em seu primeiro discurso. Dirceu disse que a sua vida "sempre foi pública", e ressaltou que em 40 anos de vida política nunca sofreu qualquer processo na Justiça. "Não sou réu, não respondo a um só processo". O ex-ministro disse estar honrado de ter servido ao governo do presidente Lula, e garantiu não se "envergonhar" em nenhum momento da política de alianças adotada pelo governo. "Para governar o país, era necessário fazer alianças", disse Dirceu, que deixou a Casa Civil na última quinta-feira.

    Dirceu apresentou aos parlamentares resultados que considera mais do que positivos do governo federal, especialmente na área econômica. "O Brasil voltou a crescer, a criar empregos, é menos dependente economicamente. O País tem consistência em seu programas sociais". Segundo o ex-ministro, o seu mandato na Câmara será de debate com a oposição para que os números positivos do governo possam ser apresentados de forma clara. "Servi 30 meses nesse governo que está fazendo esse programa (de governo) que o povo brasileiro escolheu em 2002. Estamos aqui para buscar consenso. Quando não conseguirmos, vamos para o voto".

    Intromissões e brigas
    O pronunciamento de Dirceu foi interrompido pelo deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) aos gritos de "terrorista" e "seqüestrador". Das galerias, onde havia muitas bandeiras do PT, partiram gritos de "provocador" e "fascista", dirigidos a Bolsonaro. O deputado voltou a interromper Dirceu quando o petista afirmava que "na democracia, se decide no voto". "Comprando votos", gritou Bolsonaro. Em seguida, o deputado Alberto Fraga (sem partido-DF) brandiu notas de R$ 50 para as galerias, que voltaram a gritar em coro: "Fascista".

    O presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), decidiu suspender a sessão e mandou esvaziar as galerias. Foi quando Jair Bolsonaro exibiu aos militantes um saco plástico de lixo preto com um cartaz onde se lia "Mensalão do Lullão", com os dois "ll", símbolo do ex-presidente Fernando Collor. Houve troca de empurrões entre Fraga, Bolsonaro e parlamentares do PT e a sessão foi retomada 15 minutos depois já sem a presença de Dirceu.

    Chegada emocionada
    José Dirceu chegou à Câmara dos Deputados e seguiu direto para a sala da liderança do PT na Câmara, onde aguardou o horário previsto para o início do seu discurso no plenário. A chegada de José Dirceu foi tumultuada, já que cerca de 100 militantes e parlamentares do PT aguardavam o ex-ministro com faixas, bandeiras do partido e gritos de apoio como "Dirceu é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo". O percurso entre o anexo dois, por onde entrou, e a sala da liderança da Câmara, feito normalmente em menos de 5 minutos, levou mais de 20 minutos.

  • Redação Terra
     
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