Jefferson reafirma que PSDB operou "caixa dois"

22 de junho de 2005 • 06h44 • atualizado às 06h44

O deputado Roberto Jefferson confirmou nesta terça-feira as acusações feitas um dia antes durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, de que o PSDB teria operado um "caixa dois" durante a primeira campanha de Fernando Henrique Cardoso para a Presidência da República.

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    De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, uma contribuição do então banqueiro José Eduardo Andrade Vieira ao partido, feita em 1994, teria sido parcialmente declarada à Justiça Eleitoral. Reiterando a denúncia, Jefferson afirmou que se trata de "uma questão geral". Segundo o parlamentar, "o PSDB também trabalha com caixa dois", sugerindo que essa é uma prática comum entre partidos políticos no País.

    Na época das eleições, o partido tucano declarou uma contribuição de R$ 276 mil do banco Bamerindus, na época de propriedade de Andrade Vieira. No documento entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a sigla ainda menciona o empréstimo de um jatinho do banqueiro. Oito anos depois, o ex-presidente enviou nota ao Senado negando que seu partido tivesse recebido R$ 5 milhões do Bamerindus na pré-campanha eleitoral. Sobre as declarações de Jefferson, FHC não se pronunciou.

    Além de dizer que o caixa dois é prática corrente "desde os tempos de Dom Pedro", o deputado petebista confessou também haver praticado crime eleitoral durante a entrevista. Jefferson declarou que seu amigo pessoal Henrique Brandão, dono da corretora de seguros Assurê, fez doações ao PTB de forma legal e também "por fora", como caixa dois.

    Nesta terça-feira, Jefferson acusou o governo federal de pressioná-lo e a seu partido por conta das recentes denúncias envolvendo a base aliada em torno do suposto "mensalão". Ele citou como represálias do Planalto o corte de seu ponto na Câmara (cinco dias) e as operações da Polícia Federal em residências de integrantes do PTB. Também citou as convocações de Brandão e seu genro para deporem ao Ministério Público.

    Jefferson também refez as acusações ao deputado João Pizzolatti (PP-SC), segundo as quais o parlamentar teria operado um esquema complementar ao "mensalão" de pagamento a deputados em troca de fidelidade política. De acordo com o petebista, Pizzolatti entrou em cena porque o líder do PP, José Janene (PR), suposto responsável pelas "mesadas", teve de parar com a prática devido à superexposição na mídia.

    O presidente licenciado do PTB se disse ainda tranqüilo quanto ao inevitável enfrentamento que terá com o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, demitido após suas denúncias e que retoma sua cadeira na Câmara dos Deputados para se defender. Jefferson insiste que o petista era o chefe do esquema de corrupção supostamente orquestrado pelo governo federal no Congresso.

  • Redação Terra
     
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