inclusão de arquivo javascript

 
 

MP convocará assessor de Lula no caso Celso Daniel

24 de maio de 2005 20h47 atualizado às 20h47

A Promotoria criminal de Santo André (SP) decidiu reabrir as investigações sobre a morte do ex-prefeito Celso Daniel (PT), assassinado em janeiro de 2002. A retomada do caso se deu após a descoberta de um dossiê feito pelo político que comprovaria a existência de corrupção na cidade. A primeira pessoa a ser ouvida será o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ex-secretário de Daniel, Gilberto Carvalho.

Carvalho será interrogado porque era amigo pessoal e colaborador direto do ex-prefeito. Mas a principal razão de sua convocação é o fato de o dossiê, encontrado no antigo apartamento de Daniel, estar em um envelope onde se lê "da parte de Gilberto". A Promotoria quer saber se o documento foi de fato entregue pelo atual chefe de gabinete de Lula e em quais circunstâncias.

O dossiê conteria acusações contra o empresário e ex-segurança de Celso Daniel, Sérgio Gomes da Silva, que é suspeito de ser o mandante do crime. Os papéis, guardados em um invólucro aberto, teriam dados pessoais sobre Silva, um organograma de empresas de transporte da cidade e informações sobre um suposto esquema de propina.

O documento ganha importância devido à fala de duas pessoas presas, uma das quais comprovadamente se envolveu no assassinato. Segundo a versão de ambas, Daniel foi seqüestrado a fim de revelar onde escondia papéis que comprometeriam Gomes da Silva. Parte desses documentos teria sido resgatada quando o ex-prefeito ainda estava no cativeiro.

Entre esses depoimentos está o prestado por um dos fundadores da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o detento José Felício, também conhecido como "Geleião". Ele teria afirmado na prisão que Daniel tinha um dossiê, feito por ele mesmo. Para o Ministério Público, com as novas informações, fica cada vez mais evidente o envolvimento de Gomes da Silva no caso. A promotoria acredita que Daniel tenha sido torturado antes de ser morto para revelar as informações contidas no suposto dossiê.

Gelião também teria revelado o recebimento de uma ligação de Wladimir do Nascimento, o Mi, integrante do PCC, solicitando um cativeiro exatamente na época do seqüestro do ex-prefeito. Mi, que já morreu, teria atribuído a encomenda a Ivan Monstro, um dos presos acusados de envolvimento na execução.

Até agora, tanto o inquérito como a denúncia apresentada pelo Ministério Público, no final de 2003, não faziam referência sobre dossiês ou documentos. A motivação para o assassinato se concentrava apenas na suposta intenção de Silva de impedir as denúncias de propina planejadas por Daniel. Na época, os sete suspeitos detidos inicialmente não chegaram a mencionar que o crime tinha sido encomendado.

A Polícia Civil de SP concluiu o inquérito indicando que se tratava de "crime comum", sem citar Sérgio Gomes da Silva, mas o MP conseguiu a prisão dele por oito meses em 2004. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o qual acatou pedido da defesa, Silva foi solto. Até hoje o empresário nega envolvimento no assassinato.

Redação Terra