Nova droga é apreendida em centro acadêmico de SP

12 de maio de 2005 • 11h22 • atualizado às 11h22

Agentes do Departamento de Investigações Sobre Narcóticos (Denarc) apreenderam ontem à tarde uma grande quantidade de drogas dentro do centro acadêmico de uma universidade, na rua Doutor Bacelar, Vila Mariana, em São Paulo. Entre as substâncias encontradas, estava uma nova droga sintética, conhecida como "cápsula do medo" ou "cápsula do vento", geralmente consumida em danceterias e festas raves. Conforme o diretor do Denarc, Ivaney Cayres de Souza, a nova droga é trazida da Europa e cada cápsula provoca pelo menos 80 horas de alucinação.

Conforme Wálter Maierovitch, Professor de Direito Penal e presidente do Instituto Giovanni Falcone (www.ibgf.org.br), especializado em criminalidade organizada e terrorismo, a cápsula é de fácil fabricação e pode até ser feita em fundos-de-quintal. No seu conteúdo foram encontrados um pó branco com cristais potencializadores, usados em veneno para matar rato.

O estudante de Odontologia Mário Henrique Paiva Paciello, 28 anos, e o comerciante Floriano Fonseca Filho, 30, foram presos em flagrante acusados por tráfico de drogas. Um universitário de 27 anos foi autuado por porte do entorpecente. Ele havia feito a encomenda por telefone.

Ao todo, foram apreendidos 34 comprimidos de ecstasy, 77 micropontos de LSD, 31 cápsulas do medo, 1,2 quilo de haxixe e 74 cápsulas de ice - droga em forma de cristal acondicionado em cápsulas de remédio.

Cápsula do medo
Usada em doses de 1 a 3 miligramas (mg) - o equivalente a uma boa pitada de sal -, uma porção de 8mg da cápsula do vento pode provocar overdose, segundo laudo do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, em Brasília.

Derivada da anfetamina, que serve também de base para o ecstasy, a nova droga tem efeitos alucinógeno e estimulante potencializados.

Finas e transparentes como embalagens de medicamentos e quase vazias, elas contêm uma droga sintética (DOB) conhecida desde 1967, que agora reapareceu nos Estados Unidos, na Europa e no Brasil.

Na Europa, essas drogas sintéticas tornaram-se um grande problema e geraram o crescimento de mortes por overdose. Elas são caracterizadas por misturas feitas a esmo e com diversas impurezas.

A anfetamina "psicodélica", outro nome do ecstasy, é de 10 a 20 vezes mais devastadora do que a cocaína. O abuso crônico afeta a emoção, a memória, o sono, a dor e outros processos de percepção. As poucas pesquisas sobre a droga são da década de 90.

Apreensão no Brasil
A primeira apreensão da droga ocorreu em novembro de 2004, em Balneário Camboriú (SC), pela PF daquele Estado. Dois homens, de 25 e de 28 anos, foram presos em um ônibus de excursão fretado por um grupo de 40 passageiros, que viajavam para uma rave em São Paulo. Com os acusados, os agentes federais encontraram dez "cápsulas do vento".

Redação Terra
 
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