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 Pizza foi envenenada com pesticida, diz perícia
09 de maio de 2005 08h27 atualizado às 08h27

A pizza que deixou nove pessoas com hemorragia em Petrolândia (PE) estava envenenada com pesticida organoclorado, informou na manhã de hoje Paulo Tadeu Clemente de Vasconcelo, diretor-geral da Polícia Científica de Pernambuco. A perícia foi feita em uma amostra da pizza recebida pelo estudante Paulo Henrique Alves, 16 anos. Sete das nove pessoas internadas devem ter alta do hospital hoje. Há duas linhas de investigações para o crime: de uma ex-namorada ter envenenado o alimento ou de ter sido uma represália de colegas.

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    De acordo com Vasconcelos, O veneno estava misturado ao molho de tomate e a maionese. Há 17 mil tipos de pesticidas organoclorados registrados na Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO). "Não tem como especificar o agrotóxico nem o fabricante", disse o diretor-geral.

    A substância ataca o sistema nervoso central, causando lesões hepáticas e renais e provocando entre outros sintomas, alucinações, convulsões, levando a pessoa ao coma. O pesticida é mais utilizado na zona rural (76%) para matar pragas e na zona urbana, em menor quantidade (24%), para matar insetos. A perícia também analisou outras substâncias como arsênico, cianeto de potássio, carbamatos (chumbinho), cumarênicos (venenos para matar ratos), entorpecentes, medicamentos, estricnina, cocaína, artane e LSD, entre outros.

    Linhas de investigação
    De acordo com as investigações, Alves e outros quatro alunos tentaram provocar um curto-circuito na escola, no início do ano. Depois de conversar com a direção do colégio, o jovem teria entregado os colegas.

    A polícia apura ainda se alguma ex-namorada enviou a comida por um romance não correspondido. As nove pessoas continuam internadas no Hospital da Restauração (HR), em Recife. Os casos mais graves são o do estudante Bruno Rudenilton Almeida de Sá, 19 anos, e de Alves. Os dois continuam na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em estado de coma induzido, mas segundo os médicos, eles não correm risco de morte.

    Amanhã, a polícia deve fazer um retrato falado da mulher que mandou entregar as pizzas. Segundo o delegado-titular da seccional da cidade de Floresta, Roberto Fonseca de Oliveira, em um dos pacotes entregues estava o nome do estudante Paulo Henrique Alves e no outro, de Pereira. O mototaxista José Bartolomeu Pereira, 29 anos, que levou as pizzas envenenadas na Escola, chegará ao Recife nesta terça-feira para ajudar a polícia a elaborar o retrato-falado da jovem que mandou entregar o alimento.

    Já o delegado de Petrolândia Roberto Fonseca, que investiga o caso, irá ao HR ainda hoje colher mais informações com os familiares das vítimas. O delegado também pretende checar informações sobre uma garota, cujo nome, Raiane, estava escrito na mão de uma das vítimas. "Não encontramos nenhuma Raiane. Encontramos uma garota com um nome parecido, mas que não coincide com a descrição da garota que enviou as pizzas", disse.

    O lanche foi entregue ao estudante do Ensino Médio da Escola Estadual de Jatobá por um mototaxista, com um refrigerante e uma carta de amor. O entregador disse que a comida havia sido enviada "por uma menina". O rapaz distribuiu a pizza para os colegas e funcionários da unidade. No mesmo instante, as pessoas passaram mal, sofrendo hemorragias.

    Sete vítimas devem receber alta hoje
    Sete das nove pessoas devem ter alta do hospital hoje. As vítimas, que se encontram em observação na emergência da unidade, estão conscientes e estáveis.

    As vítimas em observação começaram a receber alimentação via oral ontem, de acordo com a assessoria do HR. O estudante Cosme Alexandre Goes Pereira, 22, que passou mal durante a sexta-feira e precisou ser transferido para a unidade semi-intensiva do hospital, retornou para o setor de repouso na tarde do sábado e também será liberado.

    Os outros que receberão alta são Wilma Gomes Lisboa, 18 anos; Tamires Greicelle de Sá Cavalcanti, 17; Evani Clara dos Santos, 18; Adelaide da Silva, 61; Maria José dos Santos, 38, e Rosineide Barbosa Jardim Ferraz, 35.

    Quanto a Alves, que apresenta quadro mais crítico, continua respirando com ajuda de aparelhos e em coma induzido. As vítimas do envenenamento haviam apresentado convulsões, sangramentos nasais e estomacais depois de comerem as pizzas.

  • Redação Terra