Severino: "quem é contra nepotismo, é fracassado"

12 de abril de 2005 • 09h48 • atualizado às 09h48

O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP), reafirmou que a indicação de seu filho foi uma iniciativa dele próprio, argumentando que os contrários ao nepotismo são "derrotados e fracassados, que não foram capazes de criar bem seus filhos".

O progressista esteve presente na posse do filho, José Maurício Cavalcanti, na Superintendência Regional do Ministério da Agricultura, ontem pela manhã, e voltou a defender a tese de que não é ilegítimo empregar parentes em órgãos públicos.

"Eu criei bem os meus filhos, que têm universidade. E agora estou indicando José Maurício. Ele está preparado. É uma pessoa que tem doutoramento e já tinha uma convivência muito boa com o Ministério da Agricultura, em Brasília. E tudo isso facilitará o trabalho da Superintendência", argumentou Severino, que aproveitou para apontar a presença do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no evento, como uma demonstração de prestígio e peso pela indicação do filho. Segundo ele, foi a primeira vez em que um ministro deu posse a um superintendente regional.

Questionado sobre a lista de parentes seus empregados no Governo Federal, divulgada pelo portal Terra, o presidente da Câmara disse, ironicamente, que está seguindo as normas ditadas pela imprensa brasileira, que o condenou por não ter curso superior. "Todos eles têm universidade e têm capacidade de enfrentar qualquer concurso", enfatizou o progressista, emendando, em seguida, que todos ocupam cargos de confiança, logo não é necessário a realização de concurso. "Além disso, não estão ocupando a vaga de ninguém", salientou Cavalcanti.

Aproveitando a oportunidade, Severino Cavalcanti voltou a dizer que, antes de crucificar o Poder Legislativo, era preciso analisar primeiro o Judiciário. "Vejam quantos filhos de juízes, desembargadores e ministros estão ocupando cargos de confiança. E cargo de confiança é para quem tem confiança. Para mim, que tenho uma família muito bem constituída, meus filhos merecem confiança, por isso eu os escolhi", alegou.

A fim de evitar o rótulo de ter assumido o cargo graças à indicação do pai, José Maurício pediu uma trégua para mostrar o trabalho que pode desenvolver no comando da Superintendência Regional da Agricultura. "Eu acho que tenho alguns pré-requisitos para assumir o cargo, porque o nosso presidente, que é uma pessoa muito ética, eu acredito que tenha procurado saber. Além disso, sou um homem que venho do campo, nasci e me criei no Interior. Vou pedir a vocês: vamos ver o meu trabalho para que Pernambuco cresça, não como filho de Severino Cavalcanti, mas como José Maurício Cavalcanti", concluiu.

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