Evidências de chacina são encontradas em veículo

06 de abril de 2005 • 23h03 • atualizado às 23h03

Peritos encontraram nesta quarta-feira, no interior de um Gol prata apreendido durante a madrugada, evidências da chacina ocorrida na Baixada Fluminense. Testemunhas garantem que o veículo foi utilizado pelos responsáveis pelas 30 mortes nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados, na quinta-feira passada.

Segundo o proprietário do Gol, ele emprestou o carro ao soldado Carlos Jorge de Carvalho, do 20º BPM (Mesquita) - reconhecido como um dos autores dos assassinatos - às 19h da última quinta-feira, ou seja, aproximadamente duas horas antes da chacina. De acordo com o dono do veículo, o carro lhe foi devolvido apenas no fim de semana, sem o lacre da placa.

Na análise preliminar do veículo, os peritos encontraram impressões digitais na placa. As marcas serão comparadas com as digitais do proprietário e dos suspeitos presos. Dentro do carro, os policiais também encontraram cartuchos de balas semelhantes às encontradas nos corpos das vítimas e um chip de rádios usados pela Polícia Militar. Os investigadores pretender usar o chip para apurar se este pertence à Polícia Militar.

Outros três carros apreendidos em casas de PMs foram vasculhados nesta quarta e, novamente, papiloscopistas tentaram colher digitais nos vidros e outras superfícies. Armas apreendidas com policiais militares também foram enviadas para perícia.

Já foram detidos 11 policias militares desde o início das investigações, porém apenas seis deles tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça. O restante cumpre detenção administrativa, que expira no fim desta quarta. Eles serão soltos, a exemplo de um tenente liberado na terça-feira, por falta de provas, caso a Justiça não decrete as prisões temporárias.

Nesta quarta, a Justiça negou pedidos de prisão para outros dois policiais militares. À tarde, policias revistaram terreno pertencente ao PM Carlos Jorge, em Belford Roxo, em busca de munição, cartuchos ou armas que estariam no local, porém não encontraram qualquer evidência. Até o momento, três policiais militares foram reconhecidos por testemunhas.

Julgamento internacional
A Organização Não Governamental Projeto Legal, que em 1999 levou um caso de extermínio de adolescentes para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, encaminhará caso da Chacina na Baixada para ser julgado pelo mesmo tribunal internacional.

A chacina, que aconteceu na última quinta, terminou com 30 pessoas mortas, entre elas dois adolescentes e uma criança. O crime foi atribuído a PMs e lembrou a época em que os subúrbios de Rio de Janeiro eram controlados por violentos grupos de extermínio comandados por policiais.

Em 1999, a Organização de Direitos Humanos Projeto Legal encaminhou à Comissão Interamericana de Direitos Humanos o caso de 3 adolescentes que foram assassinados em 1994, quando tinham apenas 18, 16 e 14 anos, respectivamente.

Após quase 11 anos, muito pouco foi feito pela polícia. Os acusados sequer foram localizados. Segundo o Código de Processo Penal Brasileiro, o inquérito deve ser concluído em um prazo máximo de 30 dias. O presidente da ONG, Carlos Nicodemos, informou que o Projeto Legal encaminhará o caso da Chacina na Baixada para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Redação Terra
 
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